Sawt Falasteen - Nobel premia a obra 'audaciosa' da poetisa canadense Anne Carson

Nobel premia a obra 'audaciosa' da poetisa canadense Anne Carson
Nobel premia a obra 'audaciosa' da poetisa canadense Anne Carson / foto: Jonathan Nackstrand - AFP

Nobel premia a obra 'audaciosa' da poetisa canadense Anne Carson

A poeta e ensaísta canadense Anne Carson ganhou, nesta quinta-feira (8), o Nobel de Literatura por sua obra "audaciosa", que traz um toque moderno ao misticismo em seus escritos inclassificáveis sobre o amor, o desejo e o desespero.

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A escritora, de 76 anos, foi premiada "por sua obra audaciosa e inovadora que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea", declarou a Academia Sueca.

A secretária permanente da Academia, Ingrid Carlberg, disse ter conversado com ela.

"Não tivemos muito tempo para falar. A única coisa que ela teve tempo de me dizer foi que, no momento, está na Islândia, onde ouve o vento", afirmou.

"Ela ficou surpresa, mas muito feliz. Dava para perceber pela voz dela", acrescentou Carlberg.

Quase toda a sua obra literária "concentra-se na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos significados", resume a Academia.

Na obra de Anne Carson, entrelaçam-se heróis mitológicos, autores antigos e românticos.

Entre seus escritos, destacam-se "Eros, o doce-amargo", "A Beleza do Marido" e "Autobiografia do Vermelho".

- "Profundo sentimento de perda" -

É conhecida sobretudo por "Nox", uma obra inesquecível publicada em 2010 em memória de seu irmão Michael, que desapareceu misteriosamente antes de morrer na Dinamarca, no ano 2000, explica a Academia do Nobel.

Essa obra se desdobra como uma sanfona, consistindo em uma única folha de vários metros de comprimento.

"Nela, percebe-se um profundo sentimento de perda", resumiu o comitê do Nobel.

Nascida em Toronto, em 21 de junho de 1950, Anne Carson começou a estudar grego graças a um professor de latim que lhe ensinava a língua durante o intervalo do almoço na escola. Ela abandonou a universidade duas vezes antes de obter seu doutorado em Letras Clássicas em Toronto.

Seu nome já figurava há anos nas listas de favoritos ao prêmio.

Muitos críticos literários haviam previsto que o Nobel seria concedido a uma mulher neste ano.

A Academia Sueca, criticada durante muito tempo por privilegiar autores ocidentais e abalada por um escândalo do movimento #MeToo em 2018, renovou-se completamente, e mais da metade de seus 18 membros foram substituídos.

Desde então, uma em cada duas pessoas premiadas é mulher.

No entanto, elas continuam muito sub-representadas: dos 122 premiados, apenas 18 mulheres receberam o prêmio. Além disso, apenas uma minoria dos autores laureados escreve em línguas asiáticas ou do Oriente Médio.

A temporada do Nobel continua na sexta-feira com o aguardado prêmio da Paz.

As chances de Donald Trump ser premiado são praticamente nulas, mas o presidente americano voltará a ser assunto geral após a campanha sem precedentes que realizou em prol de sua candidatura no ano passado.

O prêmio de Economia encerrará a temporada do Nobel em 12 de outubro.

Q.Najjar--SF-PST