Sawt Falasteen - Governo francês responsabiliza 'extrema esquerda' por onda de violência no país

Governo francês responsabiliza 'extrema esquerda' por onda de violência no país
Governo francês responsabiliza 'extrema esquerda' por onda de violência no país / foto: OLIVIER CHASSIGNOLE - AFP

Governo francês responsabiliza 'extrema esquerda' por onda de violência no país

As autoridades francesas apontaram, nesta terça-feira (20), a "extrema esquerda" como responsável por um plano "insurrecional" durante a onda de violência que atingiu o país no fim de semana, enquanto os primeiros detidos começam a comparecer à Justiça.

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A segunda maior economia da União Europeia viveu no sábado alguns dos seus piores episódios de violência nas ruas dos últimos anos, a apenas seis meses de o país escolher o sucessor do presidente de centro-direita Emmanuel Macron.

As imagens de confrontos, de edifícios públicos incendiados e de saques em lojas correram o mundo, levando vários países, entre eles Estados Unidos, China e Alemanha, a pedir vigilância redobrada a seus cidadãos na França.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, acusou pequenos grupos de "extrema esquerda" de planejar "um esquema insurrecional" em algumas localidades e citou como exemplo o incêndio da Prefeitura de Limoges, que se tornou um símbolo da onda de violência.

Um homem de 34 anos, fichado pela polícia por sua ligação com a extrema esquerda, foi detido nesta terça-feira por suspeita de envolvimento no incêndio, no âmbito de uma investigação que também conta com a participação da subdiretoria antiterrorista da Polícia Judiciária.

As declarações de Lecornu ocorreram durante uma tensa sessão de perguntas ao governo no Parlamento.

A extrema direita e a direita acusaram o Executivo de não ter se preparado adequadamente para a onda de violência, enquanto a esquerda lamentou a falta de resposta às reivindicações das centenas de milhares de manifestantes que saíram pacificamente às ruas no sábado para protestar contra o "alto custo de vida".

- Novos toques de recolher -

As autoridades também estão sob pressão para retomar completamente o controle da situação. Pela segunda noite consecutiva, decretaram toques de recolher em bairros de Paris e de outras cidades para evitar novos episódios de violência e saques.

"Durante parte da [primeira] noite havia helicópteros sobrevoando a área e verificando se não havia pequenos grupos se formando", disse à AFP Sylvain Courant, morador do bairro comercial de Les Halles, em Paris. "É um pouco opressivo", acrescentou.

A medida não deve afetar a partida da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Barcelona, marcada para esta terça-feira na capital francesa.

Os movimentos dos coletes amarelos, que abalaram o primeiro mandato de Macron em 2018 e 2019, e dos estudantes do ensino médio, que reivindicam melhores condições de ensino desde o fim de setembro, convocaram novos protestos para o próximo sábado (24).

Lecornu anunciou um esquema policial "massivo".

- O "equipamento perfeito" -

Das mais de 2.500 pessoas detidas até agora, 123 estão na prisão, seja à espera de julgamento ou já cumprindo as primeiras condenações, informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin.

Vários detidos à margem das manifestações antes do surto de violência de sábado compareceram na segunda-feira diante dos tribunais. As pessoas envolvidas nos fatos mais graves começaram a ser julgadas nesta terça-feira.

Manuel é um dos primeiros. O trabalhador temporário de 21 anos afirmou que viajou do centro da França "por impulso" a Paris para celebrar seu aniversário com a namorada, organizando um churrasco.

Para esse cozinheiro sem antecedentes criminais, isso explica o conteúdo da sua bolsa quando foi revistado antes da manifestação: garrafas de vidro, trapos e um isqueiro. O "equipamento perfeito" para um coquetel Molotov, segundo o promotor.

Dois vídeos recuperados em celulares colocam em dúvida a versão de Manuel. Neles, ele tenta, sem muito sucesso, lançar esses artefatos incendiários. Outra prova contra ele: dias antes, perguntou ao ChatGPT: "Como se proteger de um coquetel Molotov?".

"Para mim, uma manifestação tem que ser pacífica", assegurou o acusado, que vestia uma camiseta preta e seguiu diretamente para a prisão para cumprir uma pena definitiva de dois meses.

- "Gênios" -

Quanto aos autores dos saques, as autoridades os classificam como "criminosos oportunistas".

A polícia montou um dispositivo para identificá-los nos vídeos publicados nas redes sociais porque, como ironizou Lecornu na segunda-feira, são "gênios" que roubaram sem cobrir o rosto.

Sentado em uma cadeira estilo gamer no Centro de Coordenação Operacional de Segurança (CCOS), em Paris, Bruno é um dos policiais encarregados de identificar os suspeitos nos vídeos. Com o mouse na mão, concentra-se em uma gravação curta, convencido de ter reconhecido um grupo.

Ao término desse rastreamento digital, as informações são transmitidas aos investigadores em campo. "A pessoa pode dizer: 'Não, não sou eu', mas se vemos o rosto dela no vídeo...", explica uma responsável.

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R.Shaban--SF-PST