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Mais de um milhão de migrantes solicitaram regularizar sua situação na Espanha
"Mais de um milhão" de imigrantes apresentaram a documentação para regularizar sua situação na Espanha sob o plano lançado pelo governo e que termina nesta terça-feira (30), anunciou o primeiro-ministro Pedro Sánchez, apesar da oposição da direita e da extrema direita.
Defensor de uma política de acolhimento, o governo de esquerda liderado por Sánchez constitui uma exceção em matéria de migração na União Europeia, na contramão de grande parte de seus membros.
"Queremos que o mundo veja a Espanha como um país que respeita, que protege e que ampara os direitos humanos", afirmou Sánchez nesta terça-feira em seu discurso sobre a decisão, que considerou "boa" para a economia espanhola, embora tenha reconhecido seus "desafios".
De acordo com o plano de regularização em massa, as autoridades dispõem de três meses para analisar os pedidos e conceder — ou não — aos solicitantes uma autorização de residência e trabalho válida unicamente na Espanha.
As pessoas interessadas precisavam comprovar pelo menos cinco meses em território espanhol até 1º de janeiro e demonstrar que não têm antecedentes criminais.
- Política "legal, segura e organizada" -
Acuado por escândalos de corrupção e suposto tráfico de influência que afetam seu entorno mais próximo e o Partido Socialista, Pedro Sánchez transformou o plano extraordinário em bandeira, a um ano do término previsto da legislatura.
"A imigração ajuda a suprir as necessidades de mão de obra, também a sustentar o Estado de bem-estar social e mantém vivos muitos territórios", Sanchez, que também mencionou o envelhecimento da população. Sem imigração, "a Espanha perderia 19% de seu PIB em 2050", assegurou.
Esse enfoque pragmático já vinha sendo especialmente elogiado nos últimos meses pelo presidente da principal organização empresarial espanhola (CEOE), em um contexto marcado pelas dificuldades de contratação em alguns setores.
- "Grande oportunidade" -
Na Espanha há dois anos e meio, Juana Hernández, uma cubana de 59 anos que vive em Madri, celebra o plano do governo. "É uma grande oportunidade", conta, entusiasmada, à AFP.
Licenciada em língua inglesa e atualmente em formação para trabalhar no aeroporto de Madri-Barajas, explica que ficou "um pouco inquieta", antes de receber há alguns dias, "a notificação de admissão para análise" do processo.
Na região da Cantábria (norte), Mohamed, um marroquino de 23 anos que preferiu não informar o sobrenome, vive há "quatro anos" em situação irregular na Espanha, mas deseja regularizar sua situação "para trabalhar legalmente, contribuir" e evitar que empregadores se aproveitem dele, como fazem com pessoas irregulares.
Uma das principais portas de entrada da imigração na Europa, cerca de 37.000 imigrantes em situação irregular entraram na Espanha em 2025, uma forte queda em relação a 2024 (-42,6%), segundo o Ministério do Interior.
Em 1º de janeiro, mais de 10 milhões de pessoas nascidas no exterior viviam no país, que conta com uma população total de quase 50 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
T.Ibrahim--SF-PST