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Trump diz que EUA e Irã mantêm conversas 'positivas' e apresenta plano para conduzir navios em Ormuz
O presidente Donald Trump afirmou, neste domingo (3), que funcionários de seu governo estão tendo "conversas muito positivas" com o Irã, e anunciou um plano para que a Marinha dos Estados Unidos conduzisse as embarcações pelo Estreito de Ormuz a partir de segunda-feira.
O mandatário declarou que uma nova operação marítima, que chamou de "Projeto Liberdade", era um gesto "humanitário" para as tripulações dos numerosos navios presos pelo bloqueio de Ormuz, e que poderiam estar ficando sem alimentos e outros suprimentos essenciais.
"Faremos tudo o possível para tirar seus navios e suas tripulações do estreito. De qualquer forma, eles disseram que não voltarão à região enquanto ela não for segura para a navegação", disse o mandatário americano em uma extensa mensagem em sua plataforma, Truth Social.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou no X que suas forças começarão a apoiar, na segunda-feira, esta operação com destróieres equipados com lançadores de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e 15.000 militares.
"Nosso apoio a esta missão defensiva é essencial para a segurança regional e a economia global, ao mesmo tempo que mantemos o bloqueio naval", disse na publicação o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom.
O Irã mantém um rígido controle sobre Ormuz, rota essencial para o tráfego mundial de hidrocarbonetos, desde que Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o seu território em 28 de fevereiro. Em represália, Teerã atacou alvos em Israel e em países do Golfo.
O presidente da comissão do Parlamento iraniano encarregada da segurança nacional, Ebrahim Azizi, disse no X neste domingo que qualquer "interferência" dos Estados Unidos em Ormuz seria uma violação do cessar-fogo.
- Diálogo estagnado -
Trump não fez menção à iniciativa de 14 pontos apresentada por Teerã, "centrada em acabar com a guerra".
O governo iraniano apresentou uma proposta revisada a Washington, que já respondeu por meio do mediador Paquistão, informou a diplomacia do Irã na noite deste domingo.
"Estamos analisando-as e formularemos a resposta adequada", declarou o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
A situação entre os dois países segue estagnada desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 8 de abril, após quase 40 dias de ataques israelenses-americanos contra o Irã e de represálias de Teerã na região.
"Estou plenamente ciente de que meus representantes estão tendo conversas muito positivas com o país do Irã, e de que estas conversas poderiam levar a algo muito positivo para todos", publicou Trump na Truth Social.
Com o bloqueio do estreito, o Irã restringiu o fluxo de petróleo, gás e fertilizantes para a economia mundial, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio de represália aos portos iranianos.
Até 29 de abril, 913 navios comerciais de todas as categorias estavam no Golfo, indicou a empresa especializada em rastreamento marítimo AXSMarine.
- "Plano de um mês" -
O site de notícias americano Axios informou, citando duas fontes a par da proposta, que esta estabelecia "um prazo de um mês para negociar um acordo que permita reabrir o Estreito de Ormuz, pôr fim ao bloqueio naval americano e encerrar de forma permanente a guerra no Irã e no Líbano".
A agência Tasnim afirma que Teerã exige a retirada das forças americanas de áreas próximas ao Irã, a suspensão do bloqueio dos portos e do congelamento de ativos iranianos, o pagamento de indenizações, a suspensão das sanções, um "mecanismo" para o Estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, incluído o Líbano".
A Tasnim não mencionou o programa nuclear, um tema crucial para Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica. Teerã nega ter esta intenção.
Neste domingo a Guarda Revolucionária iraniana desafiou os Estados Unidos a escolher entre uma operação militar "impossível" e um "acordo ruim" com Teerã, depois que Trump menosprezou a proposta mais recente do Irã para pôr fim à guerra.
Os aliados europeus de Washington temem que, quanto mais tempo o estreito marítimo permaneça fechado, mais suas economias sofram.
Os preços do petróleo estão atualmente cerca de 50% acima dos níveis anteriores ao conflito, em grande medida devido aos estrangulamentos de oferta no estreito.
Os jornalistas perguntaram a Trump, no sábado, o que poderia levar a uma retomada dos bombardeios contra o Irã.
Ele foi vago na resposta: "Caso se comportem mal, se fizerem algo ruim, mas neste momento vamos ver". "É uma possibilidade que poderia ocorrer, sem dúvida", disse.
burx-cab/erl/dbh/mvv/yr
I.Yassin--SF-PST