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Candidato de esquerda Sánchez lança campanha para 2º turno no Peru antes de resultados finais do 1º
O candidato da esquerda radical à presidência do Peru, Roberto Sánchez, disse nesta quinta-feira (30) que começará sua campanha para o segundo turno, diante do atraso na contagem oficial e em meio a anúncios de seu adversário ultraconservador Rafael López Aliaga de que não reconhecerá os resultados.
"É evidente que, por uma questão de realidade, nós temos que começar já" a campanha, declarou Sánchez em uma coletiva com a Associação de Imprensa Estrangeira em Lima.
As autoridades eleitorais peruanas anunciaram que os resultados finais seriam divulgados em 15 de maio, num momento em que, com 97% da apuração, a direitista Keiko Fujimori lidera a votação com 17,1%, seguida por Sánchez com 12% e López Aliaga com 11,9%.
Fujimori é a única que tem sua passagem garantida. A diferença entre o segundo e o terceiro lugar é de 30 mil votos, enquanto ainda falta revisar cerca de um milhão de votos que foram contestados.
Sánchez evitou declarar-se formalmente como classificado para o segundo turno e deixou claro que respeita as instituições: "Quem diz e proclama os resultados é o Júri Nacional de Eleições, não nós", acrescentou.
"Há uma vontade persistente que pretende não reconhecer o voto do cidadão", afirmou sobre as denúncias constantes de seu rival, que pediu o atraso do anúncio dos resultados alegando uma suposta fraude.
O líder de esquerda teme que esses pedidos prolonguem até o fim de maio a incerteza eleitoral. "Se no dia 15 de maio não estiverem de acordo e pedirem a recontagem de tudo, isso vai durar até o fim de maio, e as eleições são na primeira semana de junho", advertiu.
Ele adiantou que a coalizão que lidera, Juntos pelo Peru, está promovendo "a defesa do voto e o respeito aos resultados" por meio de manifestações pacíficas.
López Aliaga, ex-prefeito de Lima, questiona os resultados na capital peruana devido a uma série de irregularidades que impediram a instalação de mesas de votação e milhares de cidadãos de exercer seu direito ao sufrágio.
O Júri Nacional de Eleições estima que os resultados definitivos não serão conhecidos antes de 15 de maio, já que a maioria das atas que ainda precisam ser processadas apresenta anomalias e terá que ser examinada pelos júris eleitorais.
Nesse contexto de incerteza, uma pesquisa recente do Ipsos coloca Fujimori e Sánchez empatados no segundo turno com 38% dos votos para cada um, sinal de uma forte polarização. O voto em branco ou nulo alcançaria 17%.
Se o segundo turno fosse contra Rafael López Aliaga, a candidata direitista perderia.
Y.Zaher--SF-PST