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México pede aos EUA provas 'irrefutáveis' sobre caso de governador acusado de narcotráfico
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu aos Estados Unidos, nesta quinta-feira (30), provas "irrefutáveis" no caso do governador de Sinaloa e outras nove pessoas acusadas de vínculos com o narcotráfico pela promotoria de Nova York.
Rubén Rocha Moya, membro do partido Morena (situação), governa este estado violento desde 2021 e é considerado próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. Os outros acusados também são membros do partido governista.
"Se a procuradoria-geral (...) receber provas contundentes e irrefutáveis conforme a legislação mexicana ou em sua própria investigação encontrar elementos constitutivos de um crime, deverá proceder" ao pedido de prisão para extraditar os acusados aos Estados Unidos, disse Sheinbaum durante sua coletiva de imprensa matinal.
A presidente esquerdista afirmou, ainda, que se não forem apresentadas provas, seria evidente que "o objetivo destas acusações por parte do Departamento de Justiça é político".
"Não vamos permitir que nenhum governo estrangeiro venha decidir o futuro do povo do México", acrescentou Sheinbaum, ao questionar as motivações da acusação.
A promotoria americana assegura que Rocha Moya e outros nove "ex ou altos funcionários do governo e das forças de ordem" se associaram ao Cartel de Sinaloa "para distribuir enormes quantidades de narcóticos nos Estados Unidos".
Sheinbaum admitiu que esta é a primeira vez que um governador, um senador e um prefeito no exercício do cargo são acusados de vínculos com o narcotráfico.
"Não vamos proteger ninguém", disse a presidente, ao ressaltar que é preciso cumprir as leis mexicanas antes de atender o pedido dos Estados Unidos.
- "Não há provas" -
Sheinbaum detalhou que antes de sua coletiva de imprensa conversou com seu gabinete de segurança sobre como a procuradoria federal e a chancelaria vão se "coordenar com as autoridades americanas" para analisar o pedido de prisão com fins de extradição dos acusados.
A procuradoria "tem que fazer uma revisão exaustiva" e, a partir daí, dar sua resolução. Este resultado será entregue aos Estados Unidos através da chancelaria.
A presidente não deu importância a algumas provas apresentadas pelos americanos, como uma suposta relação de pagamentos de subornos aos políticos mencionados. "É de chamar a atenção, é uma folha de papel", descreveu.
Ela ressaltou que o departamento jurídico da chancelaria revisou o expediente e concluiu que "não há provas", mas que conforme determinado por lei, caberá à procuradoria-geral fazer a investigação.
"Não vamos permitir que nenhum governo estrangeiro venha a decidir o futuro do povo do México", acrescentou Sheinbaum, ao questionar as motivações da acusação.
Rubén Rocha Moya, de 76 anos, antes foi deputado estadual e senador por Sinaloa.
Sua gestão é marcada pelo confronto entre os "Chapitos" e os herdeiros do outro fundador do cartel de Sinaloa, Ismael "Mayo" Zambada, detido em julho de 2024 e preso nos Estados Unidos.
O confronto entre os dois grupos deixou centenas de mortos e desaparecidos no estado.
Os supostos vínculos do governador de Sinaloa com o crime organizado vieram à tona em uma carta de "Mayo" Zambada, na qual dizia ter sido levado aos Estados Unidos mediante uma farsa, enquanto se dirigia para uma reunião com Rocha Moya.
O Cartel de Sinaloa foi designado como organização terrorista pelo governo do presidente americano, Donald Trump, que instou o México a deter o tráfico de drogas para seu território, em particular o fentanil, e ameaça impor tarifas aduaneiras como punição ou usar suas tropas para perseguir narcotraficantes no país.
H.Jarrar--SF-PST