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O que se sabe sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã?
Irã não envia delegação para negociações com EUA
O Irã afirmou nesta terça-feira (21) que ainda não enviou uma delegação ao Paquistão para a segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, a menos de dois dias do fim do cessar-fogo que deixou a guerra no Oriente Médio em um intervalo.
Teerã e Washington trocam acusações sobre violações da trégua de duas semanas que, segundo o presidente americano Donald Trump, terminará na noite de quarta‑feira (22).
Trump acusou, em sua plataforma Truth Social, o Irã de violar o cessar-fogo em várias ocasiões.
No início de abril, os dois países participaram de negociações iniciais, o encontro de maior nível entre as nações inimigas desde a fundação da República Islâmica em 1979.
Analistas avaliaram na ocasião que o nível político das delegações enviadas a Islamabad era um indicador da disposição dos dois países para alcançar um acordo.
Mas o diálogo fracassou. O Irã manteve durante quase todo este período o Estreito de Ormuz fechado, um ponto‑chave para o trânsito de hidrocarbonetos, e Trump anunciou um bloqueio dos portos iranianos.
"Até o momento, nenhuma delegação do Irã viajou para Islamabad, no Paquistão, seja a delegação principal ou a secundária", informou a televisão estatal iraniana.
Trump acusou o Irã de atirar contra navios no Estreito de Ormuz. Teerã afirma que o bloqueio americano e a apreensão de um navio do país violaram o acordo de trégua.
As autoridades iranianas estão descontentes e acusam Washington de não demonstrar boa‑fé nas negociações.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmou que o país não aceitará negociar "sob a sombra das ameaças" de Trump e está disposto a utilizar "novas cartas no campo de batalha" se a guerra for retomada.
- "A situação é terrível" -
Moradores de Teerã entrevistados pela AFP a partir de Paris afirmam que a vida piorou devido à opressão do governo e às consequências da guerra.
"Este maldito cessar‑fogo nos destruiu. Não há luz no fim do túnel", declarou Saghar, de 39 anos. "A situação é terrível. Não conheço ninguém ao meu redor que esteja bem".
Babak Samiei, um engenheiro de 49 anos, aproveitou a trégua para voltar a praticar esportes e ioga depois de "não ter feito nada durante os 40 dias de guerra".
Ele disse que prefere não pensar no que acontecerá amanhã, mas tem a sensação de que "nenhum acordo será alcançado e a guerra provavelmente será retomada".
A trégua, em teoria, terminaria na noite de terça‑feira, mas Trump declarou à agência Bloomberg que acontecerá na noite de quarta‑feira, horário de Washington, e que uma prorrogação é "altamente improvável".
Trump também afirmou ao canal PBS News que o Irã "deveria estar" nas negociações no Paquistão.
"Concordamos estar lá", disse, antes de advertir que, se o cessar-fogo expirar, "então muitas bombas começariam a explodir".
Sem um acordo, o presidente republicano se recusa a suspender o bloqueio aos portos iranianos. Também impõe condições rígidas para um pacto, em particular que Teerã entregue o urânio enriquecido com seu polêmico programa nuclear.
"O atual confronto entre Estados Unidos e Irã não é mais um choque de capacidades, e sim uma disputa de resistência política e poder de negociação", escreveu Daniel Byman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
Trump negou estar pressionado pelo tempo, apesar do prazo do cessar-fogo.
"ISTO NÃO É VERDADE! Não estou sob nenhuma pressão, embora tudo vá acontecer relativamente rápido", escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Apesar da incerteza, os preços do petróleo caíram na terça-feira e eram negociados abaixo dos 100 dólares por barril.
- Líbano -
No Líbano, continua em vigor outro cessar-fogo, anunciado na sexta-feira passada.
O país virou a outra grande frente de batalha da guerra desde que o grupo libanês pró-Irã Hezbollah o arrastou para o conflito, em 2 de março, com o lançamento de foguetes contra Israel em apoio a Teerã.
Israel e Líbano, que não mantêm relações diplomáticas, celebrarão uma segunda rodada de negociações em Washington na quinta-feira, informou à AFP uma fonte do Departamento de Estado americano.
Os ataques israelenses contra o Líbano deixaram pelo menos 2.387 mortos desde o início da guerra, segundo o balanço mais recente do governo de Beirute.
burs-jfx/arm-erl/dbh/fp
R.Shaban--SF-PST