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Principal cartel colombiano suspende diálogos de paz após acordo entre Petro e Trump
O Clã do Golfo, principal cartel do tráfico de drogas na Colômbia, anunciou, nesta quarta-feira (4), que suspenderá as negociações de paz no Catar com o governo de Gustavo Petro, em repúdio ao acordo entre o presidente colombiano e seu par americano, Donald Trump, para atacar seu líder.
A organização responsável pelo maior volume de cocaína exportada da Colômbia protestou depois que os dois presidentes priorizaram ações militares e de inteligência contra seu líder, Chiquito Malo, durante uma reunião na terça-feira (3), na Casa Branca.
À margem dos diálogos de paz em Doha, Petro expressou a Trump a necessidade de atacar o líder do Clã do Golfo, informou o ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez.
"Isso seria um atentado contra a boa-fé e os compromissos" assumidos até o momento no Catar, afirmou no X a organização narcotraficante, ao anunciar que se retirará da mesa de negociações "provisoriamente", enquanto seus integrantes fazem consultas sobre o anúncio.
"O presidente Petro colocou seus interesses pessoais acima do bem maior, que é a paz nos territórios", acrescentou o grupo, que se autodenomina Exército Gaitanista da Colômbia.
O Clã do Golfo foi designado organização terrorista por Washington em dezembro.
Além de Chiquito Malo, a Colômbia apontou perante Trump para Iván Mordisco, líder da principal dissidência das Farc que não depôs as armas após o acordo de paz de 2016, e Pablito, homem forte da guerrilha ELN, que atua na fronteira com a Venezuela.
O objetivo é localizá-los no prazo de dois meses, segundo o governo.
"Não são objetivos novos para a Colômbia em si, mas são, sim, objetivos novos para uma ação conjunta entre a Colômbia e os Estados Unidos", disse o ministro da Defesa à Rádio Caracol.
- Mudança de rumo -
Essa nova estratégia entre os dois países muda o rumo das relações entre Colômbia e Estados Unidos, que tinham sido afetadas pelos constantes embates nas redes sociais entre Trump e Petro.
Antes de se reunir com Trump, o presidente da Colômbia vinha sendo pressionado por sua suposta falta de firmeza contra as máfias, motivo pelo qual os Estados Unidos lhe impuseram sanções e retiraram o país da lista de aliados na luta contra o narcotráfico.
Uma fonte do Exército, que pediu o anonimato, disse à AFP que a cooperação dos Estados Unidos "ajudaria" a combater com mais eficácia os grupos armados, se contemplarem o apoio em sistemas antidrones, a reativação do uso de helicópteros de guerra e o envio de mais recursos econômicos.
Petro sofreu duras críticas por sua política de negociar a paz com os principais grupos armados do país, que teriam se fortalecido durante seu mandato. No caso do Clã do Golfo, o próprio governo reconhece que o grupo aumentou em número de integrantes.
Petro e o Clã tinham anunciado, em setembro, o início de diálogos no Catar para um desarmamento em troca de benefícios legais.
O Exército informou, nesta quarta-feira, que soldados mataram sete membros do ELN na fronteira com a Venezuela, em uma operação da qual as forças americanas não participaram.
"Convido o ELN a aceitar uma missão de verificação científica e internacional para a entrega total de infraestrutura que sirva ao narcotráfico multinacional e retomar o caminho da paz", escreveu Petro no X.
- Venezuela -
Em janeiro, o comandante do ELN, Antonio García, disse à AFP que estava disposto a se unir a Iván Mordisco para enfrentar Washington.
Sánchez acrescentou que Colômbia e Estados Unidos convidarão a Venezuela a se juntar à nova ofensiva para combater o narcotráfico.
Essa ofensiva "significa interagir com maiores capacidades em termos de inteligência, mas aplicando a força em cada território segundo a soberania das próprias nações". A intenção "é que a Venezuela também se integre a essa linha", afirmou Sánchez.
M.Qasim--SF-PST