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José Antonio Kast é eleito presidente do Chile
José Antonio Kast, o candidato mais à extrema direita desde o fim da ditadura militar há 35 anos, venceu com folga o segundo turno deste domingo (14) para se tornar o próximo presidente do Chile.
As buzinas de comemoração dos eleitores de Kast soaram no centro de Santiago, em frente ao quartel-general de sua campanha eleitoral e em diversos pontos do país, constatou a AFP. O serviço eleitoral anunciou Kast como presidente eleito após uma rápida apuração.
Kast, um advogado ultraconservador de 59 anos, venceu com 58% dos votos a comunista moderada Jeannette Jara, que representava uma coalizão de esquerdas que obteve 41%.
Católico devoto e pai de nove filhos, promete deportar cerca de 340 mil imigrantes em situação irregular, a maioria venezuelanos, e combater o crime.
"Estamos felizes porque há tempo buscávamos uma melhora. O país vinha em decadência. Temos confiança de que com este candidato as coisas vão melhorar", disse à AFP Ricardo Neves, estudante de Construção Civil de 31 anos, que comemorava em frente ao quartel-general de campanha de Kast.
Jara, por sua vez, é uma advogada de 51 anos que foi ministra do Trabalho do governo de Gabriel Boric e reduziu a semana de trabalho para 40 horas. Prometia aumentar o salário-mínimo e as aposentadorias.
Kast garantiu um governo de unidade. "Quem vencer [...] terá que ser o presidente de todos os chilenos", disse à imprensa após votar em Paine, a 40 km de Santiago.
"Estávamos bem cansados a nível país do desgaste econômico [...] Sentíamos falta da direita", comentou Maribel Saavedra, eleitora de Kast de 42 anos que abriu um champanhe em frente ao quartel-general de campanha. Disse esperar que Kast "fortaleça o país com trabalho" e "regularize a questão imigratória".
- Chile 'caindo aos pedaços' -
Kast acredita que o Chile "está caindo aos pedaços". Esta foi sua terceira tentativa de chegar à presidência, agora como candidato do Partido Republicano, que ele fundou há cinco anos por considerar a direita tradicional muito branda.
Em suas aparições públicas, atrás de vidros à prova de balas em um dos países mais seguros da região, este ex-deputado retratou o Chile quase como um Estado falido dominado pelo tráfico de drogas, um país que se afastou do "milagre econômico" que o tornou uma das nações mais bem-sucedidas da América Latina.
Segundo uma pesquisa do Ipsos de outubro, 63% dos chilenos afirmam que o crime e a violência são suas maiores preocupações, seguidos pelo baixo crescimento econômico.
Contudo, a percepção do medo no Chile é muito maior do que os números reais da criminalidade.
Os homicídios dobraram na última década, embora estejam em declínio há dois anos. No entanto, houve aumento de crimes como sequestro e extorsão, após a chegada ao país de gangues venezuelanas, colombianas e peruanas, como o Trem de Aragua, da Venezuela.
O governo de esquerda de Boric, ex-líder estudantil que chegou ao poder após os protestos massivos de 2019, não conseguiu reformar a Constituição de Pinochet, o que "minou completamente seu apoio político", segundo Robert Funk, professor de ciência política da Universidade do Chile.
Muitos chilenos exigiam mudanças.
- Favorito apesar de Pinochet -
Kast apoiou a ditadura militar e afirma que, se Pinochet estivesse vivo, votaria nele. Mas, nesta última campanha, evitou discutir esse e outros assuntos que poderiam lhe custar votos, como sua oposição ao aborto em qualquer circunstância.
Investigações jornalísticas revelaram em 2021 que o pai de Kast, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista de Adolf Hitler. No entanto, Kast afirma que seu pai foi um recruta forçado do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega que ele tenha sido um apoiador do movimento nazista.
No primeiro turno das eleições, há um mês, tanto Jara quanto Kast receberam um quarto dos votos, com uma ligeira vantagem para a candidata de esquerda. Apesar disso, os votos para toda a direita somaram 70% e levaram Kast à presidência.
Desde 2010, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile a cada eleição presidencial. O voto é obrigatório neste pleito pela primeira vez em mais de uma década.
Se Kast vencer, "não devemos pensar que ele tem um mandato superforte para fazer o que quiser", porque muitas pessoas estão votando nele por medo de Jara, estimou o analista Robert Funk.
I.Matar--SF-PST