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Ataques russos deixam 25 mortos na Ucrânia após ultimato de Trump a Putin
Pelo menos 25 civis, incluindo uma mulher grávida e mais de uma dezena de prisioneiros, morreram em decorrência de ataques russos contra a Ucrânia nesta terça-feira (29), um dia após o novo ultimato de Donald Trump a Vladimir Putin.
As autoridades acrescentaram que mais de 70 pessoas ficaram feridas.
Os bombardeios ocorreram um dia depois de o presidente dos Estados Unidos dar ao contraparte russo "10 ou 12 dias", em vez de 50, para pôr fim à sua invasão da Ucrânia, sob ameaça de sanções.
Nesta terça-feira, Trump esclareceu que o prazo é de "dez dias a partir de hoje", e que as sanções que imporia à Rússia seriam principalmente "tarifárias".
O magnata republicano afirmou que ainda não recebeu resposta de Putin à sua ameaça. "É uma pena", comentou.
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, denunciou nas redes sociais o bombardeio russo ao centro penitenciário no oblast (região administrativa) de Zaporizhzhia, no sul do país, qualificando-o como um "ataque deliberado, intencional".
Ele afirmou que "os russos não podiam ignorar que estavam atacando civis nesse estabelecimento".
Por meio de seu porta-voz, Dmitri Peskov, o Kremlin negou que esteja atacando "alvos civis", assegurando que o Exército russo realiza apenas ataques "contra infraestruturas militares ou ligadas ao exército".
As imagens publicadas pelo Ministério da Justiça ucraniano mostram escombros e tijolos espalhados pelo chão ao redor de um edifício na colônia penitenciária de Bilenkivska, cujas janelas foram destruídas.
O ministério afirmou que não há risco de fuga dos detentos, já que o perímetro do centro não foi danificado.
Nadiïa, uma moradora de Bilenke, teve sua casa danificada pelo ataque. "Às 5h50, um vizinho me ligou e disse: 'Venha rápido, seu telhado desapareceu'. Não sobrou uma única janela intacta", explicou a mulher de 74 anos.
Jornalistas da AFP no local constataram prédios em ruínas, tijolos espalhados pelo chão e quartos com os tetos destruídos.
O chefe da administração regional, Ivan Fiodorov, informou que a Rússia realizou oito ataques aéreos no oblast de Zaporizhzhia, um dos quais atingiu a prisão, onde 16 pessoas morreram e 43 ficaram feridas.
- "Violação do direito humanitário" -
Há três anos, um ataque à prisão de Olenivka, no oblast ucraniano de Donetsk, ocupado pela Rússia, deixou vários prisioneiros ucranianos mortos. Kiev e Moscou acusaram-se mutuamente.
"O regime de Putin, que também faz ameaças aos Estados Unidos através de seus porta-vozes, deve enfrentar medidas econômicas e militares que o prive de sua capacidade de fazer guerra", disse o chefe da administração presidencial ucraniana, Andriy Yermak, na rede social X.
Um alto funcionário ucraniano disse à AFP que, no momento do ataque, havia 274 detentos, todos ucranianos, e 30 funcionários. Também confirmou que não havia prisioneiros de guerra russos.
A Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia lembrou em um comunicado que as prisões não são infraestruturas militares e que os prisioneiros são civis que "devem ser protegidos pelo direito humanitário internacional".
O comissário ucraniano de direitos humanos, Dmytro Lubinets, denunciou na rede social X uma "flagrante violação do direito humanitário internacional" e "mais uma prova de crimes de guerra cometidos pela Rússia".
- O Kremlin "toma nota" -
A Força Aérea Ucraniana informou que a Rússia lançou dois mísseis e 37 drones na madrugada desta terça-feira, dos quais 32 foram interceptados.
No oblast de Kharkiv (nordeste), ataques russos deixaram seis mortos e outros três no oblast de Dnipropetrovsk (centro), incluindo uma mulher grávida. Um hospital na mesma área foi danificado, segundo as autoridades locais.
Neste contexto em que as forças ucranianas carecem de efetivos para combater os russos, Zelensky promulgou nesta terça-feira uma lei que autoriza o recrutamento de pessoas com mais de 60 anos.
Na Rússia, uma pessoa foi morta no oblast de Rostov após o ataque de um drone ucraniano, anunciou o governador regional, Yuri Sliusar.
Apesar desses novos ataques, o Kremlin garantiu nesta terça-feira que mantém o "compromisso com um processo de paz", afirmando também que "tomou nota" do ultimato de Trump.
Peskov afirmou, no entanto, que a Rússia pretende continuar "preservando seus interesses". Moscou exige que Kiev ceda quatro oblasts, além da Crimeia, anexada em 2014, e desista de aderir à Otan.
As últimas negociações diretas entre russos e ucranianos em Istambul, Turquia, na semana passada, duraram menos de uma hora e, como em ocasiões anteriores, só foram concluídas com um acordo para a troca de prisioneiros e corpos de soldados mortos.
O Kremlin também lamentou a "desaceleração" na normalização das relações entre Washington e Moscou, embora tenha manifestado interesse em uma melhor "dinâmica" nesse processo.
G.AbuGhazaleh--SF-PST