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Irã está disposto a cooperar com AIEA 'sob uma nova forma'
O Irã declarou, neste sábado (12), que está disposto a cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sob "uma nova forma", ao mesmo tempo em que reafirmou seu compromisso com uma solução diplomática para resolver as disputas relacionadas com seu programa nuclear.
Estas declarações foram feitas pelo chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi, após os bombardeios israelenses e americanas contra instalações nucleares do Irã durante a recente guerra desencadeada por um ataque sem precedentes de Israel (entre 13 e 24 de junho).
Israel afirmou ter lançado este ataque para impedir que seu inimigo declarado desenvolva a bomba atômica, uma aspiração que Teerã sempre negou.
"Nossa cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não foi interrompida, mas será adotada uma nova forma", afirmou Araqchi a diplomatas estrangeiros em Teerã.
O Irã, que considera que a AIEA tem parte de responsabilidade nos ataques de junho contra suas instalações nucleares, suspendeu oficialmente, no começo de julho, toda cooperação com a agência nuclear da ONU, após a aprovação de uma lei no Parlamento.
"De acordo com esta lei, toda a nossa cooperação com a Agência será gerida a partir de agora pelo Conselho Supremo de Segurança" iraniano, acrescentou o chanceler.
O Irã "segue disposto a gerar confiança através da diplomacia, mas antes nossos interlocutores devem nos convencer de que realmente desejam a via diplomática e não que esta sirva para encobrir outros objetivos", ressaltou.
No começo de julho, os Estados Unidos qualificaram como "inaceitável" a decisão do Irã de suspender sua cooperação com a AIEA.
Após a eclosão do conflito entre Israel e Irã, as negociações iniciadas em abril entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções foram suspensas.
Neste sábado, o Irã anunciou que vai estudar os detalhes para uma possível retomada destas negociações.
- Linha vermelha -
Em 21 de junho, os Estados Unidos lançaram bombardeios contra a instalação subterrânea de enriquecimento de urânio de Fordo, ao sul de Teerã, assim como instalações nucleares em Isfahan e Natanz (centro). O alcance exato dos danos é desconhecido.
No começo de julho, uma equipe de inspetores da AIEA deixou o Irã para voltar à sede da organização em Viena, na Áustria, após a suspensão da cooperação por parte de Teerã.
O chefe da AIEA, o argentino Rafael Grossi, reiterou "a importância crucial" de retomar os diálogos com o Irã sobre as condições necessárias para retomar "suas atividades indispensáveis de supervisão e verificação o mais rapidamente possível".
Durante a guerra, Israel realizou centenas de ataques contra instalações nucleares e militares iranianas.
O Irã, que defende seu direito de enriquecer urânio com fins civis, respondeu lançando mísseis e drones contra Israel. A República Islâmica aderiu em 1970 ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
Estados Unidos e Irã seguem profundamente divididos sobre a questão do enriquecimento de urânio. Teerã o considera um direito "inegociável" para desenvolver um programa nuclear civil, enquanto Washington o vê como uma "linha vermelha".
No sábado, o chefe da diplomacia iraniana reiterou a oposição de seu país a qualquer proibição ao enriquecer urânio em um eventual acordo para regular seu programa nuclear.
Segundo a AIEA, o Irã é o único país não detentor de armas nucleares que enriquece urânio em um nível elevado (60%), muito acima do limite de 3,67% estabelecido pelo acordo internacional de 2015 com as grandes potências, do qual os Estados Unidos se retiraram em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump.
Para fabricar uma bomba, o enriquecimento deve chegar a 90%.
I.Yassin--SF-PST