Sawt Falasteen - Trump quer um novo presidente na Ucrânia; tensão aumenta por divergência sobre diesel russo

Trump quer um novo presidente na Ucrânia; tensão aumenta por divergência sobre diesel russo
Trump quer um novo presidente na Ucrânia; tensão aumenta por divergência sobre diesel russo / foto: Daria Nazarova - AFP

Trump quer um novo presidente na Ucrânia; tensão aumenta por divergência sobre diesel russo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou duramente no sábado (10) seu homólogo da Ucrânia, Volodimir Zelensky, ao afirmar que "chegou o momento de a Ucrânia ter um novo presidente" para acabar com a guerra com Moscou, em meio a pressões pelo aumento do preço dos combustíveis a poucas semanas das eleições de meio de mandato.

Tamanho do texto:

Trump e o Partido Republicano enfrentam o risco de perder a maioria nas duas câmaras do Congresso nas eleições do próximo mês, em parte devido aos custos elevados da energia, que dispararam após a guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.

"Sugiro que escolham um novo líder capaz de chegar a um acordo, porque ele poderia ter fechado muitos acordos e, por alguma razão, nunca o faz", disse Trump.

Mais tarde, Trump disse que seu homólogo russo, Vladimir Putin, estava interessado em acabar com a guerra.

"A Rússia gostaria de chegar a um acordo... mas, por algum motivo, Zelensky não quer chegar a um acordo", declarou Trump à imprensa.

"O presidente Putin gostaria muito de ver um acordo", disse o americano sobre uma conversa telefônica que teve na sexta-feira com o líder russo.

Trump disse à imprensa que Zelensky não seguiu suas instruções para não atacar as refinarias russas e que as ações da Ucrânia contra estas instalações poderiam agravar o risco de escassez de combustíveis.

O presidente americano anunciou na sexta-feira que estabeleceu um acordo com Putin para permitir que Moscou volte a exportar grandes volumes de diesel para os mercados internacionais.

A Rússia "recebeu a mensagem de que podia continuar atacando", escreveu Zelensky no Facebook. O ucraniano classificou o alívio sobre o diesel de Moscou como uma "decisão fraca".

- Apoio da UE -

Kiev e seus aliados europeus alertaram que reduzir a pressão sobre Moscou ajudaria a financiar a guerra do Kremlin.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o fim das sanções ao diesel russo apenas contribuirá para financiar a guerra do Kremlin na Ucrânia. "Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará", declarou nas redes sociais.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse no sábado a Zelensky que poderia contar com sua "solidariedade absoluta".

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, reagiu rapidamente e afirmou que Zelensky "conta com o apoio do povo ucraniano". "As declarações vindas do exterior apenas confirmam que ele está fazendo bem o seu trabalho. Ele merece apoio", escreveu no X.

- Bombardeio mortal na Ucrânia -

Moscou intensificou nos últimos meses seus ataques contra a Ucrânia, elevando o número de vítimas civis, enquanto os esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para encerrar mais de quatro anos e meio de guerra seguem estagnados.

Na madrugada de sábado, um ataque russo com bombas contra a cidade de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, deixou 20 mortos, entre eles três crianças, segundo os serviços estatais de emergência.

"Hoje a Rússia expressou sua gratidão pelo fim das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas contra edifícios residenciais em Zaporizhzhia", escreveu Zelensky no X.

Na região central de Dnipropetrovsk, um ataque russo com drones matou um menino de 11 anos, informou o governador regional.

Os bombardeios russos também provocaram cortes de energia em Kiev, segundo a companhia elétrica DTEK. Além disso, o prefeito da capital informou que um restaurante foi atingido.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atacado um "centro de dados" utilizado pelo Exército ucraniano.

- "Conversas construtivas" -

O anúncio do acordo sobre o diesel coincidiu, na sexta-feira, com uma reunião em Miami entre autoridades dos Estados Unidos, da Ucrânia e da Europa, em uma nova tentativa diplomática de acabar com a guerra.

A delegação ucraniana retornou no sábado a seu país, informou um assessor de Zelensky.

Desde sua chegada à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tenta mediar o fim do conflito na Ucrânia.

Após a reunião em Miami, o enviado americano Steve Witkoff escreveu no X que "conversas construtivas" exploraram "possíveis caminhos para reduzir a escalada e encerrar a guerra com a Rússia antes do inverno" (no Hemisfério Norte), além de promover uma paz "duradoura e estável".

Segundo Witkoff, participaram do encontro representantes do Reino Unido, da França e da Alemanha, além da Comissão Europeia, da Ucrânia e da Otan.

B.Khalifa--SF-PST