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Os Bolsonaro: uma história de poder, prisão e exílio
O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso por tentativa de golpe de Estado, enquanto sua esposa e dois de seus filhos ocuparão cadeiras no Congresso e seu primogênito, Flávio, fugiu do país após perder as eleições: esta é a história de prisão e exílio de um poderoso clã político.
A dinastia do ex-presidente de extrema direita protagoniza uma história de dramas, disputas internas e ambições que não destoariam de uma telenovela.
Quando parecia que seu filho mais velho, Flávio, iria vencer as eleições, ele perdeu para seu inimigo, o esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, e fugiu para os Estados Unidos em um desafio à Justiça que o investiga.
Agora, ele trilha um caminho político incerto, longe do poder, como seu pai, condenado por sua tentativa fracassada de golpe de Estado após perder as eleições de 2022, também para Lula.
- Jair, o patriarca-
Jair Bolsonaro, de 71 anos, conquistou uma base sólida graças ao seu estilo combativo e à defesa de "Deus, pátria e família", embora também tenha sido criticado por seus comentários contra homossexuais e mulheres.
Cumpre uma pena de 27 anos em prisão domiciliar por conspirar para impedir que Lula assumisse o poder em 2023. Impedido de se candidatar nas eleições, indicou seu filho Flávio como herdeiro político.
Flávio prometia libertar o pai por meio de uma anistia ou de um indulto e sonhava que fosse ele a colocar-lhe a faixa presidencial durante a cerimônia de posse. Esses planos foram arruinados pela vitória de Lula no segundo turno.
- Flávio fugiu -
O senador de 45 anos ganhou um impulso inesperado como candidato à Presidência. Apresentou-se aos eleitores como um líder mais moderado que o pai e foi o mais votado no primeiro turno.
As projeções o apontavam como favorito para a disputa final, mas foi surpreendido ao ser derrotado por Lula, que conquistou um apoio inédito na história do país.
Flávio não reconheceu o resultado das eleições e na terça-feira seguiu para os Estados Unidos, apesar da proibição judicial de deixar o país.
No Brasil, ele é investigado, entre outros casos, por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados a um filme sobre seu pai, "Dark Horse", financiado com recursos repassados pelos ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em um escândalo de fraudes financeiras entre outros crimes.
- Michelle, a madrasta-
Michelle Bolsonaro, de 44 anos, tem uma idade semelhante à de três de seus enteados. Evangélica devota, tornou-se uma figura política de peso e foi eleita senadora pela capital, Brasília.
Ela cresceu na pobreza, cercada por narcotraficantes, e conheceu Jair Bolsonaro depois de conseguir um emprego no Congresso. Com Flávio, mantém uma relação fria após acusá-lo de tê-la desrespeitado.
Em fevereiro, depois que Eduardo Bolsonaro a acusou de não fazer o suficiente para apoiar a campanha do irmão, Flávio, ela publicou uma foto de bananas fritas que preparava para o marido.
A publicação foi interpretada como uma indireta contra Eduardo, apelidado por seus críticos de "bananinha".
Eduardo respondeu compartilhando uma postagem de um apoiador que dizia que ela deveria continuar fritando bananas enquanto ele e Flávio trabalhavam para "salvar o país".
- Eduardo, os laços com EUA-
Eduardo, de 42 anos e nos Estados Unidos desde 2025, reuniu-se com o presidente Donald Trump e intermediou junto à sua administração para defender os interesses de sua família no Brasil.
Perdeu seu assento parlamentar devido à longa permanência fora do país e, em junho, foi condenado à revelia a quatro anos e dois meses de prisão em um processo por articulações para promover sanções e tarifas americanas contra o Brasil.
Considerado o mais radical dos filhos de Bolsonaro, ele compartilhou vídeos dos fuzis e das armas que comprou. Participou de conferências conservadoras nos Estados Unidos em sua tentativa de conseguir alianças.
- O "pitbull" e os demais -
Com Flávio e Eduardo longe, Jair terá suas fichas no Congresso. Seu segundo filho, Carlos, a quem chama de "pitbull da família", foi eleito senador pelo estado de Santa Catarina aos 43 anos.
Ele entrou na política aos 17 anos, depois que o pai o incentivou a disputar a Câmara Municipal do Rio de Janeiro contra a própria mãe, Rogéria, após o divórcio.
Mais tarde, tornou-se o estrategista do pai nas redes sociais. Seu irmão caçula, Jair Renan, de 28 anos, foi eleito deputado pelo mesmo estado.
O irmão de Jair, Renato Bolsonaro, de 62 anos e militar da reserva, foi eleito deputado pelo estado de São Paulo.
D.Khalil--SF-PST