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Avanço da IA põe à prova compromissos climáticos das empresas de tecnologia
As empresas de tecnologia estão assumindo cada vez mais compromissos em favor do meio ambiente, mas não com a rapidez necessária para compensar o crescente consumo de energia associado ao avanço da inteligência artificial, segundo um relatório publicado nesta quarta-feira (2).
"Apesar dos avanços em áreas como a divulgação de dados climáticos e o uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis, as empresas de tecnologia continuam longe de reduzir suas emissões no ritmo necessário para cumprir as metas climáticas mundiais", conclui o relatório Greening Digital Companies 2026.
O estudo, publicado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) da ONU e pela organização World Benchmarking Alliance (WBA), avalia as emissões e os compromissos climáticos de 200 das principais empresas digitais do mundo.
O relatório analisa as emissões de gases de efeito estufa, o consumo de energia, as metas climáticas, o uso de energias renováveis e os planos de transição climática das empresas.
A edição deste ano, baseada em dados de 2024, conclui que a inteligência artificial "é, ao mesmo tempo, um fator de eficiência e um desafio crescente", informou a UIT em um comunicado.
Segundo o relatório, os principais fornecedores de serviços de inteligência artificial e de computação em nuvem registraram um aumento de suas emissões entre 2020 e 2024, impulsionado pelo forte crescimento da demanda energética e pela expansão de suas infraestruturas.
"Embora as tecnologias digitais ofereçam um enorme potencial para a ação climática, não se pode ignorar o aumento de suas necessidades energéticas nem de suas emissões", afirmou a secretária-geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin.
"A sustentabilidade ambiental deve ser integrada à forma como projetamos, alimentamos e ampliamos as tecnologias que estão moldando nosso futuro digital compartilhado", acrescentou.
As emissões de quatro dos principais fornecedores de inteligência artificial e serviços de computação em nuvem dispararam em até 239% entre 2020 e 2024, segundo o relatório.
No mesmo período, 14 grandes empresas de telecomunicações conseguiram reduzir suas emissões em 11%.
A organização ressaltou que o crescimento da IA deve ser acompanhado de investimentos em energia limpa e de uma gestão adequada das emissões.
Em 2024, as 200 empresas analisadas relataram 301 milhões de toneladas de emissões operacionais de dióxido de carbono equivalente, o que representa cerca de 0,8% das emissões mundiais relacionadas à energia.
Como a Amazon não publicou dados sobre seu consumo de eletricidade em 2024, a China Mobile foi a empresa com maior consumo de eletricidade, quase o dobro de Alphabet e Samsung, que ocupam a segunda posição.
M.AbuKhalil--SF-PST