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EUA diz querer acordo com Irã, mas não "a qualquer preço"
Os Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira (25) que desejam um acordo definitivo com o Irã, mas não "a qualquer preço", e advertiram sobre um possível "caos total" caso Teerã imponha pedágios para o trânsito pelo Estreito de Ormuz, próximo ao qual um navio cargueiro foi atacado.
Washington e Teerã iniciaram, na semana passada, negociações na Suíça após a assinatura, em 17 de junho, de um protocolo de entendimento que busca pôr fim ao conflito desencadeado pelos bombardeios israelenses e norte-americanos no fim de fevereiro.
O ataque ao cargueiro nesta quinta-feira, realizado com um projétil de origem desconhecida, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, provocou a suspensão do plano lançado dois dias antes para evacuar cerca de 600 navios que permaneciam bloqueados no Golfo desde o início do conflito, anunciou a Organização Marítima Internacional (OMI).
A embarcação, que navegava fora desse dispositivo coordenado pela OMI, foi atingida no golfo de Omã após atravessar o Estreito de Ormuz.
Horas antes, durante uma viagem aos países aliados dos Estados Unidos no Golfo, fortemente afetados pela guerra no Oriente Médio, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, procurou tranquilizar esses parceiros.
"Embora queiramos um acordo, não queremos um acordo a qualquer preço", declarou no Bahrein diante de seus colegas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
Ele se referia à situação no Estreito de Ormuz, onde o Irã pretende impor "taxas de trânsito", inexistentes antes da guerra, medida à qual Washington se opõe.
Essa passagem marítima, com cerca de 30 km de largura entre o Irã e Omã, é estratégica: antes da guerra, por ela transitava 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
- "O conjunto das ameaças" -
"As vias navegáveis internacionais não pertencem a nenhum Estado", declarou Rubio. Sem esse princípio fundamental, "o mundo estaria mergulhado no caos total", acrescentou.
A situação também parece estar se agravando entre o Irã e seu vizinho Omã, localizado na margem oposta do estreito.
Mascate anunciou que não está prevista nenhuma "taxa de trânsito" nos futuros acordos e mencionou a abertura de um "corredor marítimo temporário", apresentado como uma iniciativa coordenada com a ONU.
No entanto, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, ameaçou responder com "medidas apropriadas" a qualquer tentativa de atravessar o estreito sem sua autorização.
Além da questão de Ormuz, os países do Golfo querem que o programa de mísseis balísticos de Teerã e seu apoio a grupos armados no Oriente Médio façam parte das negociações.
"Uma paz e uma segurança regional duradouras exigem enfrentar o conjunto das ameaças iranianas", escreveram os ministros das Relações Exteriores do CCG em um comunicado. Esses temas não fazem parte do protocolo de entendimento.
"Queremos garantir que nenhuma parte desse acordo prejudique (...) a segurança, a estabilidade ou a prosperidade de qualquer um de nossos parceiros na região do Golfo", insistiu Rubio.
O cessar das hostilidades permitiu a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz: a plataforma de monitoramento Kpler registrou 70 travessias na quarta-feira, um ritmo que, no entanto, ainda é duas vezes inferior ao normal.
Com o ataque ao cargueiro nesta quinta-feira, os preços do petróleo voltaram a subir, depois de terem recuado aos níveis anteriores à guerra.
- Três mortos no Líbano -
O protocolo de entendimento abre caminho para 60 dias de negociações com o objetivo de alcançar um acordo definitivo. Segundo Rubio, uma reunião técnica com a delegação iraniana está prevista para os dias 29 ou 30 de junho, na Suíça.
Nos Estados Unidos, aumentam as críticas às concessões feitas pelo presidente Donald Trump, que deseja encerrar essa guerra impopular.
A Casa Branca solicitou ao Congresso recursos adicionais de quase 88 bilhões de dólares, principalmente para recompor os estoques de munição.
Teerã defende seu direito de desenvolver um programa nuclear para fins civis e sempre negou querer fabricar uma bomba atômica, como temem alguns países ocidentais.
Além disso, o Irã exigiu que o protocolo de entendimento incluísse a frente de combate no Líbano, onde Israel enfrenta o movimento islamista libanês pró-iraniano Hezbollah e mantém tropas mobilizadas no sul do país.
O Hezbollah voltou a acusar Israel nesta quinta-feira de cometer uma "violação flagrante" do cessar-fogo, após um ataque com drone que deixou três mortos. O Exército israelense afirmou ter eliminado combatentes do Hezbollah.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou nesta quinta-feira que as tropas israelenses permanecerão mobilizadas "pelo tempo que for necessário".
Com o ataque desta quinta-feira, subiu para sete o número de mortos desde terça-feira em ofensivas israelenses, enquanto ocorrem em Washington negociações diretas entre Líbano e Israel, as primeiras em décadas.
Q.Jaber--SF-PST