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Trump freia confirmação no Congresso de seu chefe de inteligência
O presidente americano, Donald Trump, cancelou, nesta quarta-feira (17), uma audiência no Senado para a confirmação de seu candidato a chefe de inteligência, em uma nova tentativa de pressionar republicanos e democratas a apoiarem sua agenda legislativa.
Na semana passada, Trump nomeou Jay Clayton, um promotor de carreira de Nova York, que antes chefiou a comissão que controla os mercados de valores nos Estados Unidos, para comandar a Direção de Inteligência Nacional (DNI, na sigla em inglês).
Atualmente, ocupa o cargo interinamente Bill Pulte, considerado leal ao presidente, mas sem experiência em temas de inteligência, o que gerou críticas de democratas e também de alguns republicanos.
A poucas horas da audiência, Trump anunciou em sua plataforma Truth Social sua suspensão, e destacou ter acordado retirar Pulte do cargo sem que a oposição aceitasse, por sua vez, renovar os poderes de espionagem do governo na Lei de Vigilância da Inteligência Estrangeira (FISA, na sigla em inglês).
"Os republicanos se mexeram tão rápido com as audiências do grande Jay Clayton, atual promotor federal do Distrito Sul de Nova York, que Pulte sairia antes" de os democratas votarem sobre a FISA, assegurou Trump.
"Agora, os Idiocratas dizem que vão votar contra a FISA. Assim, os republicanos acabaram cumprindo seu compromisso, mas os Idiocratas romperam o acordo", acrescentou o presidente republicano, usando uma forma depreciativa para se referir aos democratas.
A FISA contém a Seção 702, que permite a vigilância sem ordem judicial de estrangeiros fora dos Estados Unidos.
A controversa seção desta lei expirou pela primeira vez na semana passada, depois que o Congresso rejeitou uma prorrogação no curto prazo, em grande medida devido à nomeação de Pulte.
Trump anunciou agora que pensa manter Pulte no cargo e, além disso, "para adicionar um pouco de intriga (...) não vou aprovar a FISA sem o SAVE AMERICA ACT".
Se for aprovado, o projeto de lei 'SAVE America Act' exigiria uma identificação com foto para votar em todo o país, uma prova de cidadania para se inscrever no censo eleitoral e outras restrições.
A iniciativa tem poucas chances de ser aprovada em seu formato atual.
O tempo urge para todas as partes, enquanto os republicanos enfrentam o risco de perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro.
O presidente exerce pressão tanto sobre os democratas quanto sobre seus correligionários republicanos, que dão sinais de estar em desacordo sobre várias prioridades de Trump, da guerra no Irã a suas nomeações para cargos do governo.
J.AbuHassan--SF-PST