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Últimos 22 evacuados do Hondius deixarão a Espanha em poucas horas em um único avião
A evacuação do Hondius em um porto espanhol, devido ao hantavírus, terminará nesta segunda-feira (11) com a saída, em um único voo para os Países Baixos, dos últimos 22 ocupantes, antes de o navio zarpar desse país com tripulação reduzida e o corpo de uma vítima.
"O voo dos Países Baixos também levará os cidadãos e cidadãs" que iriam "no voo australiano", disse a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, em uma coletiva de imprensa no porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, onde a retirada ocorre desde domingo.
Os australianos não conseguiram "garantir a chegada a tempo" do avião para levar seus passageiros antes do horário limite das 19h (15h de Brasília) estabelecido para o término da operação e a partida do navio, disse García. "Vão ficar 32" pessoas" no navio, "que partirão para os Países Baixos", concluiu a ministra.
García também defendeu a segurança do procedimento, depois que surgiram dois casos entre quase cem passageiros e tripulantes retirados no domingo, um americano e uma francesa, com sintomas dessa doença contagiosa pouco frequente para a qual não há vacina.
"Não vamos entrar em nenhuma dessas polêmicas. O governo da Espanha está fazendo o que tem de fazer, está trabalhando e está focado para que este dispositivo, esta operação, dê certo", respondeu.
"É nisso que nos concentramos desde o primeiro momento e creio que o mundo está nos observando e, aliás, o mundo está nos agradecendo por nosso trabalho e capacidades que temos na Espanha para levá-lo adiante", concluiu a ministra.
- Combustível e mantimentos para a viagem -
O Hondius, que iniciou sua jornada com a partida do cruzeiro de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, receberá combustível e mantimentos antes de desembarcar as últimas pessoas, que, como ocorreu na véspera, seguirão de ônibus para o aeroporto de Tenerife Sul, a quinze minutos, para embarcar nos aviões.
Em um breve vídeo publicado nesta segunda-feira no site da Oceasinde Expeditions, o capitão do Hondius, Jan Dobrogowski, agradeceu à sua tripulação e aos passageiros, destacando a "união e a força" de todos a bordo e elogiando a tripulação por sua "coragem e determinação altruísta".
"Como capitão do Hondius, meu trabalho é liderar minha tripulação, cuidar dos meus passageiros e levar o navio ao porto em segurança. Nossa responsabilidade não termina aí", acrescentou, expressando seu desejo de que todos possam "voltar para casa em segurança e com boa saúde".
Três passageiros a bordo do Hondius — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram devido ao hantavírus. O corpo da alemã partirá com o navio.
As repatriações estão sendo realizadas de avião e por nacionalidade, 23 ao todo, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas.
No domingo partiram voos para Madri, para levar os espanhóis que fazem quarentena em um hospital militar, para a França, Países Baixos — que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio —, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
- Falta de garantias -
Segundo as autoridades de saúde, os passageiros foram classificados como "contatos de alto risco" e deverão cumprir quarentenas ao chegarem ao destino. Já os americanos não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve "riscos", avaliou o diretor-geral da OMS.
"Isto não é covid", justificou Jay Bhattacharya, diretor interino do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, apelando à população para manter a calma.
O Hondius permanece ancorado, sem atracar, a pedido das autoridades regionais das Canárias, que manifestaram sua rejeição à operação e nesta segunda-feira lamentaram o aparecimento dos dois casos.
"O que espero é que a operação transcorra com todas as garantias, garantias que, à vista de todos, não estão sendo dadas", declarou a principal autoridade de Tenerife, a presidente do conselho municipal da ilha, Rosa Dávila, assegurando que não foram realizados testes PCR nos passageiros retirados.
O.Farraj--SF-PST