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Putin diz que guerra na Ucrânia se aproxima do fim e critica Otan
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou neste sábado (9) que a guerra na Ucrânia “está se aproximando do fim” e criticou duramente os países ocidentais por ajudarem o país, em meio a uma breve trégua que as duas partes acusam uma à outra de violar.
"Começaram a intensificar o confronto com a Rússia, que continua até hoje. Acredito que está se aproximando do fim, mas ainda é um assunto sério", disse Putin a jornalistas.
Durante a comemoração da vitória soviética sobre os nazistas, o presidente russo atacou o papel desempenhado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no conflito.
“Passaram meses esperando que a Rússia sofresse uma derrota esmagadora, que seu Estado desmoronasse. Isso não aconteceu. E então ficaram presos nessa dinâmica e agora não conseguem sair dela”, declarou.
Segundo Putin, ele está disposto a se reunir com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em um terceiro país, mas apenas depois que todas as condições para um possível acordo de paz fossem acertadas. “Esse deveria ser o ponto final, e não as negociações em si mesmas”, ressaltou.
O ato na Praça Vermelha de Moscou durou apenas 45 minutos, incluindo o discurso presidencial, e não exibiu armamentos, diante do temor de ataques ucranianos.
Diferentemente da pompa do ano passado, quando compareceram cerca de 20 líderes internacionais de países como China e Brasil, desta vez participaram apenas alguns poucos dirigentes aliados, de nações como Belarus, Cazaquistão, Malásia e Eslováquia.
- Violações do cessar-fogo -
A celebração foi beneficiada no último momento pela entrada em vigor de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano, Donald Trump.
No entanto, as duas partes se acusam mutuamente neste sábado de violá-la. "Desde o início do dia, o número de ataques do agressor chegou a 51", afirmou o Estado-Maior ucraniano.
Enquanto isso, o Ministério da Defesa russo disse que "apesar da declaração de cessar-fogo, os grupos armados ucranianos lançaram ataques com drones e artilharia contra as posições de nossas tropas".
Um pouco mais tarde, Putin, assegurou que ainda não havia recebido nenhuma proposta da Ucrânia sobre uma eventual troca de prisioneiros, como havia anunciado Trump.
Após mais de quatro anos de conflito, a Rússia controla cerca de 20% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Nas comemorações, segundo foi possível ver na televisão russa, participaram soldados da Coreia do Norte, que em 2025 ajudaram Moscou a expulsar as tropas ucranianas da região russa de Kursk.
O desfile começou às 10h00 locais (04h00 de Brasília) e terminou às 10h45, sob fortes medidas de segurança.
A internet móvel estava cortada no centro de Moscou e muitas ruas da capital estavam quase vazias, constataram jornalistas da AFP.
As comemorações na Praça Vermelha de Moscou são um evento-chave que permite a Putin exaltar a memória do triunfo soviético em 1945 e unir a população russa em apoio à campanha militar na Ucrânia.
Mas este ano os atos estavam ameaçados pelos incessantes ataques de drones de Kiev e, nas ruas, os moradores de Moscou não parecem muito esperançosos de que a paz volte tão cedo.
O fim do conflito "não será em breve, por mais que todos queiramos a paz", diz à AFP Elena, uma economista de 36 anos que prefere não informar seu sobrenome e está principalmente irritada com o corte da internet. "Eu preciso dela, e não tem."
O dia 9 de maio é "um dia como qualquer outro", acrescenta Danil, de 26 anos, a caminho da academia. Perguntado se essa breve trégua é um prelúdio para a paz, responde com um seco "não".
Após duas tentativas de trégua, primeiro ucraniana e depois russa, que não foram respeitadas nesta semana, Trump anunciou na sexta-feira um cessar-fogo de três dias entre as partes a partir deste sábado.
Trump considerou que o fim da guerra está "cada vez mais próximo", enquanto nesta semana foram retomadas as conversas entre negociadores ucranianos e americanos na Flórida.
Essas conversas haviam ficado em segundo plano desde o início, em 28 de fevereiro, da guerra no Oriente Médio. Na sexta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, disse esperar a chegada à Ucrânia, nas próximas semanas, dos enviados de Washington.
D.AbuRida--SF-PST