Sawt Falasteen - Irã afirma que EUA devem aceitar proposta de paz ou enfrentar 'fracasso'

Irã afirma que EUA devem aceitar proposta de paz ou enfrentar 'fracasso'
Irã afirma que EUA devem aceitar proposta de paz ou enfrentar 'fracasso' / foto: ATTA KENARE - AFP/Arquivos

Irã afirma que EUA devem aceitar proposta de paz ou enfrentar 'fracasso'

O principal negociador do Irã afirmou nesta terça-feira (12) que o governo dos Estados Unidos deve aceitar a contraproposta da República Islâmica para acabar com a guerra, depois que o presidente Donald Trump declarou que a trégua se encontra em estado crítico.

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A guerra iniciada há mais de dois meses com os ataques americanos e israelenses contra o Irã afeta centenas de milhões de pessoas em todo o mundo por suas consequências para a economia global, apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.

As partes se recusam a fazer concessões e ameaçam retomar os combates, mas nenhum país parece disposto a voltar a uma guerra aberta.

"Não há alternativa a não ser aceitar os direitos do povo iraniano tal como estão expostos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será infrutífera e resultará em um fracasso após o outro", escreveu na rede social X o negociador Mohammad Bagher Ghalibaf.

Quanto mais Washington demorar a aceitar a proposta, "mais os contribuintes americanos terão que pagar", acrescentou, ao mencionar a oferta enviada em resposta ao plano de Washington.

Segundo a imprensa, a proposta americana incluía um memorando de entendimento para encerrar os combates e estabelecia um marco para negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que sua resposta exige o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a interrupção do bloqueio naval americano aos portos iranianos e a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior pelas sanções impostas há vários anos.

Donald Trump considerou a oferta iraniana "totalmente inaceitável" e disse que o cessar-fogo se encontra em estado crítico.

A guerra verbal preocupa os iranianos. "Tentamos nos apegar a qualquer coisa que possa nos ajudar a sobreviver. O futuro é muito incerto e vivemos um dia de cada vez", disse Maryam, uma pintora de 43 anos de Teerã, a jornalistas da AFP que a entrevistaram de Paris.

- "Crise humanitária" -

"Nós tentamos encontrar uma forma de seguir em frente. Manter a esperança é muito difícil neste momento", acrescentou Maryam.

A reação furiosa de Trump provocou uma alta nos preços do petróleo e frustrou as esperanças de que um acordo sobre o Estreito de Ormuz poderia ser negociado em breve. O Irã restringiu o tráfego marítimo na passagem estratégica e estabeleceu um mecanismo de cobrança de pedágios.

A crise de abastecimento de energia "é a maior que o mundo já experimentou", declarou o CEO da empresa de petróleo estatal saudita Aramco, Amin Naser.

As autoridades americanas consideram "inaceitável" que Teerã controle o Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo e do gás natural do mundo, além de uma grande quantidade de fertilizantes.

Trump declarou ao canal Fox News que cogita reativar uma operação americana de curta duração para conduzir petroleiros e navios mercantes através de Ormuz, mas ainda não tomou uma decisão.

Os mercados aguardam com expectativa a viagem de Trump nesta semana a Pequim, onde se reunirá com o seu homólogo chinês Xi Jinping.

O Irã também acompanhará com muita atenção a visita, na qual Trump tentará pressionar Xi, cujo país é um dos principais compradores de petróleo iraniano.

A guerra também provocou uma escassez de fertilizantes em todo o planeta, o que põe em perigo o abastecimento de alimentos para dezenas de milhões de pessoas.

Jorge Moreira da Silva, diretor‑executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), declarou à AFP que restam apenas algumas semanas para evitar uma "crise humanitária de grandes proporções", que poderia levar mais 45 milhões de pessoas a um cenário de fome.

- Um "inferno" -

Na outra frente de batalha da guerra, o Líbano, os combates prosseguem entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, apesar do cessar-fogo declarado em 17 de abril.

Ataques israelenses contra uma localidade no sul do país mataram seis pessoas e deixaram sete feridos, informou a imprensa estatal nesta terça-feira.

Mais de 2.800 pessoas foram mortas no Líbano desde que o país foi arrastado para a guerra em 2 de março por lançamentos de mísseis do Hezbollah contra Israel, segundo o Ministério da Saúde.

O líder do Hezbollah, Naim Qasem, reiterou as ameaças contra seu inimigo. "Não vamos nos render e continuaremos defendendo o Líbano e seu povo, não importa o tempo que levará, nem o tamanho dos sacrifícios", afirmou em um comunicado.

"Não vamos abandonar o campo de batalha e o transformaremos em um inferno para Israel", ameaçou.

G.AbuHamad--SF-PST