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Chefe do Pentágono entra em choque com legisladores democratas por guerra com Irã
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, entrou em choque repetidas vezes na quarta-feira com legisladores democratas durante sua primeira audiência no Congresso sobre a guerra com o Irã, cujo custo ele estimou até agora em cerca de 25 bilhões de dólares (R$ 125 bilhões).
Ao lado do chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, Dan Caine, Hegseth passou várias horas diante da Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes.
Desde que Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra Teerã em 28 de fevereiro, parlamentares de ambos os partidos têm lamentado a falta de informações fornecidas pelo Executivo.
Adam Smith, o democrata de mais alto escalão na comissão, destacou as repercussões regionais da guerra e seu custo tanto para as tropas americanas quanto para os civis, afirmando que queria respostas sobre para onde o conflito está caminhando e qual é o plano para atingir os objetivos.
Donald Trump ainda não apresentou publicamente um plano para encerrar a guerra que levou o Irã a fechar o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.
Hegseth foi questionado sobre o custo do conflito que, segundo disse, está estimado até agora em pouco menos de 25 bilhões de dólares.
O chefe do Pentágono perguntou ao comitê: "Quanto vale garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear?".
- "Calamidade geopolítica" -
O representante democrata John Garamendi acusou Hegseth e Trump de "mentir ao povo americano sobre esta guerra desde o primeiro dia".
Ele descreveu o que está acontecendo no Oriente Médio como uma "calamidade geopolítica, um erro estratégico que resultou em uma crise econômica mundial".
Enquanto isso, o congressista democrata Seth Moulton perguntou a Hegseth se ele aconselhou o presidente americano a atacar o Irã. O secretário não respondeu, mas classificou como uma "boa ideia" a decisão de fazê-lo.
Questionado se havia sido considerada a possibilidade de o Irã bloquear o estratégico Estreito de Ormuz — por onde normalmente transitam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo — respondeu que o Pentágono havia "analisado todos os aspectos desse risco".
Até o momento, Teerã exerce um quase bloqueio da navegação no estreito, enquanto Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos.
Neste mês, os democratas da Câmara apresentaram seis processos de impeachment contra Hegseth, embora não tenham chances reais de avançar. Eles o acusam de "crimes e delitos graves", entre eles conduzir a guerra contra o Irã sem a aprovação do Congresso.
Vários congressistas, incluindo republicanos, também lamentam que o Executivo americano não tenha consultado mais o Congresso antes de iniciar o conflito, quando a Constituição exige sua aprovação para "declarar" formalmente a guerra.
A audiência de Hegseth perante a Comissão de Serviços Armados tratou do pedido do governo de Donald Trump para aumentar em 42% o já gigantesco orçamento de defesa dos Estados Unidos, elevando-o a 1,5 trilhão de dólares (R$ 7,5 trilhões) em 2027, o equivalente ao produto interno bruto (PIB) de países como a Indonésia ou os Países Baixos.
E.Qaddoumi--SF-PST