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Chefe da junta militar do Mali diz que situação está 'sob controle'
O chefe da junta militar do Mali, Assimi Goita, que não havia sido visto em público e cujo paradeiro era desconhecido desde os ataques rebeldes sem precedentes de sábado, declarou nesta terça-feira (28) que a situação no seu país está "sob controle".
Goita fez o seu primeiro discurso público desde que os ataques do fim de semana desestabilizaram a junta no poder.
Os jihadistas e os separatistas tuareg continuam posicionados no norte desse vasto país africano, três dias depois de terem lançado uma impressionante onda de ataques, situação que Goita reconheceu como "de extrema gravidade".
O líder maliano não fez qualquer aparição nem declaração pública durante três dias, alimentando dúvidas sobre a sua capacidade de permanecer no poder, mas na noite desta terça-feira – horas depois de os jihadistas ameaçarem impor um bloqueio à capital, Bamako – fez um discurso à nação na televisão estatal.
"Enquanto lhes falo, os dispositivos de segurança foram reforçados. A situação está sob controle e prosseguem as operações de limpeza, os esforços de busca, a coleta de informações e as medidas de segurança", afirmou.
Exortou a população a "levantar-se contra a divisão e a fratura nacional" e disse que o país precisa de "clareza, não de pânico".
Mais cedo, seu gabinete divulgou fotos de Goita visitando soldados e civis feridos, bem como o embaixador russo.
Foram suas primeiras imagens desde que os rebeldes lançaram, na manhã de sábado, uma ofensiva coordenada contra posições estratégicas da junta, incluindo áreas ao redor de Bamako.
Os ataques foram os mais importantes em quase 15 anos e reuniram dois antigos inimigos, os insurgentes islamistas e os separatistas tuareg, que uniram forças contra a junta militar e seus aliados das forças paramilitares russas.
Pelo menos 23 pessoas morreram, informou uma fonte hospitalar à AFP nesta terça-feira.
O ministro da Defesa, Sadio Camara, considerado o artífice da guinada da junta em direção à Rússia, morreu em meio a dois dias de intensos combates.
Os confrontos opuseram o exército a separatistas tuareg da Frente de Libertação de Azawad (FLA) e a seus aliados do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda.
Em sua reunião com Goita, o embaixador russo, Igor Gromyko, "reafirmou o compromisso de seu país de estar ao lado do Mali na luta contra o terrorismo", segundo o gabinete do líder maliano.
O país africano, governado por uma junta que tomou o poder em 2020, é há mais de uma década abalado por um conflito e pela ação violenta de vários grupos jihadistas.
Z.AbuSaud--SF-PST