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Departamento de Segurança Interna dos EUA entra em paralisação orçamentária
O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) entrou em paralisação orçamentária neste sábado(14) devido a divergências entre democratas e republicanos sobre as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) após dois incidentes fatais em Minneapolis.
Os democratas se opõem a qualquer novo financiamento para o DHS até que mudanças profundas sejam feitas nas operações do ICE, a agência federal responsável por executar a ofensiva anti-imigração do presidente republicano Donald Trump.
Nos próximos dias, milhares de funcionários serão colocados em licença não remunerada, enquanto outros milhares, cujas funções são consideradas essenciais, serão obrigados a continuar trabalhando. Em ambos os casos, seus salários não serão pagos até que o Congresso aprove um orçamento para o DHS, o departamento ao qual o ICE pertence.
"Donald Trump e os republicanos decidiram que não têm interesse em controlar o ICE", disse o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, na sexta-feira.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou anteriormente à Fox News que "razões políticas e partidárias" estão por trás do impasse orçamentário.
Apesar de não chegar a um acordo de financiamento no Congresso, o ICE poderá continuar operando durante a paralisação do governo federal graças aos fundos aprovados pelo Congresso no ano passado.
- "Impacto zero" -
O senador democrata John Fetterman enfatizou que a paralisação do governo federal terá "literalmente zero impacto" na aplicação das leis de imigração.
Outras agências do Departamento de Segurança Interna (DHS) serão as mais afetadas pela paralisação, como a FEMA, responsável pelo auxílio em desastres naturais.
A Administração de Segurança de Transportes (TSA), que gerencia a segurança aeroportuária, alertou nas redes sociais que uma paralisação prolongada pode resultar em tempos de espera mais longos e cancelamento de voos.
Para aprovar um novo orçamento, os democratas exigem especificamente a redução do patrulhamento, a proibição do uso de balaclavas por agentes do ICE durante as operações e a exigência de mandado judicial para entrar em propriedades privadas.
A oposição democrata ao ICE só aumentou após as mortes, com apenas algumas semanas de diferença em janeiro, de Renee Good e Alex Pretti, dois americanos alvejados por agentes federais em Minneapolis durante protestos contra as batidas policiais.
De acordo com as regras atuais do Senado dos EUA, são necessários 60 votos em 100 para aprovar um projeto de lei orçamentária, e os republicanos, mesmo com maioria, precisam do apoio de vários membros da oposição para aprovar sua proposta orçamentária para o Departamento de Segurança Interna (DHS).
- Demandas democratas -
Diante das exigências dos democratas, a Casa Branca afirmou estar disposta a negociar e enviou uma contraproposta na noite de quarta-feira.
O líder republicano no Senado, John Thune, classificou-a como uma "oferta extremamente séria" e disse que os democratas "nunca conseguirão tudo o que desejam".
Mas a oposição rejeitou categoricamente a proposta do governo e sinalizou o fracasso das negociações por ora.
"O dinheiro dos contribuintes deve ser usado para tornar a vida mais acessível ao povo americano, não para brutalizá-lo ou matá-lo", criticou Jeffries.
Este impasse orçamentário é o terceiro desde o início do segundo mandato de Trump.
I.Matar--SF-PST