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Captura de Maduro quase frustrou sonho olímpico de Nicolas Claveau
Em 3 de janeiro, Nicolas Claveau, único representante da Venezuela nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, acordou em sua casa no Canadá e acreditou que seu sonho olímpico havia evaporado ao ver pela televisão que os Estados Unidos tinham capturado o presidente Nicolás Maduro.
"O plano inicial era que eu precisava ir à Venezuela naquela primeira semana do ano para fazer os trâmites obrigatórios exigidos pelo Comitê Olímpico Internacional, mas todo mundo sabe o que aconteceu e não era possível viajar. Aí pensei que meu plano de ir aos Jogos com a Venezuela não ia funcionar", reconhece Claveau, esquiador de fundo (cross-country), em entrevista à AFP ao recordar a angústia daqueles momentos.
Ele nasceu há 20 anos em Lechería, no estado de Anzoátegui, no leste de Caracas, onde seu pai trabalhava como engenheiro especialista em tratamento de água, e viveu ali até os dois anos de idade.
Tinha documentação emitida quando era bebê, mas estava vencida havia muitos anos, porque nunca mais havia retornado ao país.
"Eu precisava fazer um passaporte venezuelano e tinha que fazer isso lá, no Canadá não podia. Sem isso, eu não iria aos Jogos Olímpicos", explica em espanhol, idioma que aprendeu principalmente nos dois anos e meio em que viveu na infância com a família no Peru.
Nicolas não parou de acompanhar as notícias naquele início de janeiro.
O presidente americano Donald Trump aparecia para falar sobre a nova situação na Venezuela, afirmando ter o controle, e dois dias após a operação de captura de Maduro ocorreu a posse de Delcy Rodríguez como nova presidente interina do país.
"Uma semana depois de tudo o que aconteceu, o Comitê Olímpico da Venezuela entrou em contato comigo para dizer que estava tudo bem e que eu podia ir a Caracas, que tudo estava preparado. Aí recuperei a esperança", recorda.
- "Como um rei" -
Nicolas Claveau chegou à Venezuela apenas duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos e conseguiu cumprir os trâmites burocráticos necessários.
"Quando cheguei a Caracas, me receberam como se eu fosse um rei. Tudo correu bem naqueles dias, conheci muita gente de lá, do Comitê Olímpico, muitos atletas e também o ministro do Esporte, Franklin Cardillo", relata o estudante de engenharia.
"No começo eu tinha medo, porque achava que poderia ser um lugar perigoso, pelas notícias que chegam ao Canadá, que costumam ser ruins sobre esse país, mas a viagem correu bem. Conheci Caracas, foi uma viagem bonita, dei entrevistas na televisão", afirma, animado com o protagonismo ao qual não está acostumado.
Depois, Claveau voltou a Quebec, onde vive com a família há mais de uma década e onde pratica esqui cross-country desde os 10 anos.
- O importante é participar -
Inicialmente competia pelo Canadá, mas sabia que se tornar olímpico por esse país era uma missão quase impossível devido ao alto nível de concorrência. Há um ano, pensou em um plano alternativo: tentar ir a Milão-Cortina por seu país natal.
Ele descobriu que a Venezuela tinha uma federação de esqui, entrou em contato e apresentou seu caso. Em novembro, obteve a classificação olímpica na Finlândia, o que o torna o sexto representante da história do país em Jogos de Inverno. "Na Venezuela somos apenas dois praticando esqui cross-country", explica.
Por isso, a classificação olímpica tem um significado especial para ele. Alegre e dançante durante o desfile de abertura, no qual foi o porta-bandeira do país, ele manteve o sorriso após terminar em 88º lugar entre 94 competidores na prova de sprint da modalidade na terça-feira.
Na sexta-feira, Claveau disputará outra prova, os 10 km com largada intervalada em estilo livre, na qual afirma ter esperança de um desempenho melhor.
Daqui a alguns meses, planeja voltar à Venezuela para passar férias. "Eu ficaria muito feliz em conhecer Lechería, o lugar onde nasci", diz, sorrindo.
W.Mansour--SF-PST