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Chavistas protestam nas ruas após queda de Maduro, opositores se calam
Centenas de seguidores do chavismo protestaram neste sábado (3), em Caracas, contra a captura do presidente Nicolás Maduro, alguns com seu retrato erguido, enquanto seus detratores, temerosos, mantêm silêncio nas ruas, mas explodem nas redes sociais.
Agentes vestidos de preto, com o rosto coberto e armas de grande porte, percorriam nervosos o centro da capital venezuelana, onde ficam repartições públicas.
Longas filas de venezuelanos em busca de abastecimento se formaram diante dos poucos supermercados abertos e nos postos de gasolina.
Os agentes também fazem a segurança do Palácio Presidencial de Miraflores, onde Maduro liderou recentes comícios contra o imperialismo, nos quais dançava ao ritmo eletrônico de "No war, yes peace".
Após os bombardeios militares americanos na madrugada, fumaça e cheiro de pólvora invadiram as ruas desertas de Caracas nas primeiras horas do dia.
As primeiras explosões tiraram muitos de suas camas em Caracas. Foi um estrondo desconhecido para este país, que não tem guerras desde o século XIX e que, segundo o presidente Donald Trump, será governado pelos Estados Unidos até que haja uma transição pacífica de poder.
"Foi horrível, sentimos os aviões passarem por cima da nossa casa", contou sob anonimato um morador do bairro Coche, próximo a Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da cidade, alvo dos ataques.
Trump anunciou os bombardeios e a prisão do mandatário venezuelano e publicou uma foto de Maduro algemado, com os olhos cobertos por óculos escuros e vestindo roupa esportiva cinza, a bordo do navio militar americano USS Iwo Jima, a caminho de Nova York, onde será julgado por narcotráfico e terrorismo.
- "Coisa absurda" -
"Viva Nicolás Maduro!", gritaram manifestantes chavistas a partir de um palanque com caixas de som instalado no centro de Caracas, enquanto tocavam canções típicas dos atos do mandatário deposto. "Viva!", respondia a multidão.
Cerca de 500 simpatizantes do governo compareceram ao ato para exigir a libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que também foi presa e levada aos Estados Unidos.
"Como é que um governo estrangeiro vem, se mete no país e tira o presidente? É uma coisa absurda", reclamou Katia Briceño, professora universitária de 54 anos.
"Não foi tanta surpresa, porque nós já tínhamos previsto que a qualquer momento poderiam nos atacar", disse à AFP Pastora Vivas, uma miliciana de 65 anos.
Não foram registradas manifestações da oposição. Em suas fileiras há temor depois que protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024 terminaram em repressão e na prisão de mais de 2 mil pessoas em 48 horas.
Um comentário que desagrade às autoridades pode levar seu autor à prisão.
Mas as redes sociais e plataformas de mensagens fervilhavam com expressões de júbilo, vídeos, fotografias, artigos e muitos comentários.
"Está acontecendo", escreveu um jovem venezuelano residente na Espanha ao tomar conhecimento da notícia do bombardeio. Pouco depois, publicou um vídeo em que aparecia chorando de emoção ao saber da prisão de Maduro.
- Longas filas -
As portas metálicas dos comércios permaneceram em sua maioria fechadas, mas, diante de longas filas de compradores nervosos, alguns supermercados decidiram abrir parcialmente, sem permitir a circulação dentro das lojas.
No bairro tradicional de La Candelaria reina a tranquilidade, enquanto em outros, normalmente barulhentos, há poucos transeuntes nas ruas.
Os bombardeios pegaram Nelson Pabón, de 53 anos, com "a geladeira vazia". Do lado de fora de um mercadinho, ele encontra apenas alguns alimentos para a semana, mas tem "fé em Deus de que tudo vai se normalizar em breve".
K.Hassan--SF-PST