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Iraque elege novo Parlamento em momento-chave para o Oriente Médio
Os iraquianos votaram, nesta terça-feira (11), para eleger um novo Parlamento em um momento crucial para o país e o Oriente Médio, em um pleito acompanhado de perto por Irã e Estados Unidos.
O Iraque desfruta de uma estabilidade incomum nos últimos anos, enquanto tenta superar décadas de guerra e repressão durante o regime de Saddam Hussein, e desde a invasão liderada pelos Estados Unidos que depôs o ditador.
No entanto, este país de 46 milhões de habitantes sofre com infraestruturas e serviços públicos deficientes, além de uma corrupção endêmica.
Muitos iraquianos perderam a esperança na política e veem as eleições como uma farsa que só beneficia as elites e as potências regionais.
Desta vez, os eleitores precisaram escolher os candidatos que vão ocupar os 329 assentos do Parlamento. A taxa de participação foi de 55%, uma surpresa, pois muitos observadores temiam uma adesão muito baixa, após uma convocação de boicote feita pelo influente clérigo xiita Moqtada al Sadr. Nas eleições de 2021, a participação foi de 41%.
No panorama político iraquiano não há novas lideranças e os representantes tradicionais das comunidades xiitas, sunitas e dos curdos seguem na primeira fila.
"A cada quatro anos acontece o mesmo. Não vemos rostos jovens, nem novas energias" capazes de "fazer uma mudança", lamentou o estudante universitário Al Hassan Yassin.
As seções de votação fecharam às 18h locais (12h de Brasília) e os resultados preliminares devem ser conhecidos 24 horas após o fechamento das urnas.
- Boicote -
Em Bagdá, ruas cobertas com cartazes de campanha estavam desertas em sua maioria, exceto pela presença de equipes de segurança, embora houvesse eleitores nos centros de votação de alguns bairros.
Desde a invasão do Iraque, em 2003, pelas forças lideradas pelos Estados Unidos, que depuseram o sunita Saddam Hussein, a maioria xiita do país, oprimida durante muito tempo, se mantém no poder e a maior parte dos partidos mantém vínculos com o Irã.
Por convenção, desde a invasão, um muçulmano xiita ocupa o cargo de primeiro-ministro e um sunita o de presidente do Parlamento, enquanto a Presidência, um posto em grande parte cerimonial, é exercida por um curdo.
Estas eleições foram marcadas pela ausência do influente clérigo xiita Sadr, que instou sua congregação a boicotar o pleito, o que poderia minar ainda mais a participação.
O clérigo acusou a classe política de ser "corrupta" e se negar a se submeter a uma reforma. Uma pessoa de seu círculo próximo pediu, na segunda-feira, que seus milhões de seguidores ficassem em casa e fizessem do dia de votação "um dia familiar".
"Por amor e obediência, vou boicotar a eleição, seguindo as ordens" de Moqtada al Sadr, relatou Hatem Hazem, de 28 anos, que fechou sua loja e pensava tirar o dia de folga.
Apesar do ceticismo, ao menos 7.740 candidatos, quase um terço deles mulheres, disputam uma vaga no Parlamento. Apenas 75 independentes estão na corrida, segundo uma lei eleitoral que os críticos consideram favorecer os partidos maiores.
O primeiro-ministro xiita Mohamed Shia al Sudani, que disputa a reeleição após ter governado sob a bandeira da estabilidade e da reconstrução, provavelmente terá uma vitória significativa.
Sudani chegou ao poder em 2022 graças a uma aliança governista de partidos e facções xiitas vinculada ao vizinho Irã. O dirigente tem insistido em seu "sucesso" em manter o Iraque relativamente imune à instabilidade no Oriente Médio.
W.Mansour--SF-PST