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Tarifas de Trump sacodem bolsas de valores
As novas tarifas americanas fizeram as bolsas de valores do mundo caírem nesta sexta-feira (1º), apesar de muitos países esperarem até o último minuto para negociar, aproveitando que as sobretaxas entram em vigor em 7 de agosto.
A incerteza econômica, um fator desestabilizador por excelência, aumentou desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto na quinta-feira que eleva as tarifas alfandegárias entre 15% e 41% para dezenas de parceiros comerciais a fim de, segundo ele, "reestruturar o comércio mundial em benefício dos trabalhadores" de seu país.
Em abril, o republicano impôs um mínimo universal de 10%, que é o que muitos continuarão pagando.
No mesmo mês, Trump já havia dado um trégua para negociações, que resultou em uma série de acordos nos quais muitos produtos de União Europeia, Japão e Coreia do Sul pagarão 15% adicionais de impostos.
É uma porcentagem considerável se for levado em consideração, por exemplo, que antes do republicano retornar ao poder em janeiro, os produtos europeus eram tributados com uma tarifa média de 4,8%.
Reino Unido, Vietnã, Indonésia e Filipinas também conseguiram reduzir as penalizações sobre seus produtos quando entram nos Estados Unidos com acordos-quadro.
Os mercados financeiros reagiram mal à oficialização das tarifas. As bolsas asiáticas e europeias recuaram e Wall Street também registrou quedas: Dow Jones perdia 1,31%; o S&P, 1,55%, e o Nasdaq, 1,92%, às 14h55 GMT (11h55 em Brasília). E estão cada vez mais preocupadas com os efeitos na economia, sobretudo na dos EUA.
Esta é a razão pela qual o Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve suas taxas de juros inalteradas nesta semana. A instituição financeira teme que as tarifas aumentem a inflação e sejam um obstáculo para o crescimento econômico.
Os sinais apontam nesta direção. A taxa de desemprego, divulgada nesta sexta-feira, subiu ligeiramente para 4,2% e as contratações desaceleraram mais do que o previsto.
Os parceiros comerciais mais prejudicados não perdem a esperança de chegar a um acordo nos próximos dias.
- 6 e 7 de agosto -
As tarifas deveriam entrar em vigor nesta sexta-feira, mas foram adiadas para 7 de agosto para permitir que as alfândegas se organizem, segundo um funcionário de alto escalão da Casa Branca.
Para o Brasil, será um dia antes. O decreto determina um aumento adicional de 10% nas taxações dos produtos brasileiros, mas nesta semana o governo Trump anunciou que acrescentará 40%.
Neste caso, trata-se de uma decisão abertamente política, um protesto, sobretudo, ao julgamento por tentativa de golpe contra o ex-presidente da extrema direita Jair Bolsonaro, que o mandatário americano considera vítima de uma "caça às bruxas".
Portanto, haverá um acréscimo de 50% aos produtos brasileiros a partir de 6 de agosto, com exceções importantes, como o suco de laranja, a aviação civil, os metais preciosos ou a pasta de celulose, entre outros.
- Alívio para México, punição para o Canadá -
O México respira aliviado desde quinta-feira, depois que a presidente Claudia Sheinbaum obteve uma prorrogação de 90 dias que mantém as tarifas em 25% sobre os produtos de seu país, além das que Trump impôs a alguns setores, como 50% sobre o aço, o alumínio e o cobre.
A maioria dos parceiros pagará 15% adicionais de sobretaxas, como Costa Rica, Bolívia, Equador e Venezuela. A Nicarágua, 18%.
Uma porcentagem vantajosa se comparada com outras nações, como o Canadá, punido com um adicional de 35% apesar de integrar o T-MEC.
A África do Sul iniciou "negociações intensas", segundo seu presidente, Cyril Ramaphosa, para reduzir os 30% impostos por Washington ao seu país, o que, segundo o banco central, ameaça 100.000 empregos.
Taiwan, com sua indústria de chips eletrônicos, é afetada pelos 20%, e a Suíça, por 39%. Mas a Síria, país devastado pela guerra, tem o pior cenário, sujeita a 41%.
A China, em negociações com os EUA para estender sua trégua comercial para além de 12 de agosto, denunciou nesta sexta-feira um protecionismo que prejudica "todas as partes".
J.AbuHassan--SF-PST