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Parcerias em evolução, o motor que impulsiona o Brasil na Copa do Mundo
Talvez sem querer, Carlo Ancelotti reproduziu no Brasil uma fórmula que deu à Argentina o seu terceiro título mundial: promover parcerias em campo, associações essas que estão em plena maturação na equipe brasileira, mas que já impulsionaram o grupo para a fase de 16-avos de final.
A Seleção Brasileira chegou à América do Norte sob uma avalanche de dúvidas sobre o seu futebol e os resultados irregulares. Nem todas elas foram sanadas, mas o elenco de 'Carletto' disputará a segunda fase, na segunda-feira (29) em Houston contra o Japão, em plena curva ascendente.
Com Neymar de volta após quase três anos e Vinícius Júnior em modo super-herói, a 'Canarinha' liderou o Grupo C com sete pontos, após as vitórias por 3 a 0 sobre Haiti e Escócia e o empate em 1 a 1 contra o Marrocos.
De certa forma, Ancelotti encontrou um caminho desde que viu sua equipe sendo desfalcada por lesões, desde a baixa de Rodrygo em março até a de Raphinha no segundo jogo do Mundial contra os haitianos.
"O time melhorou muito, agora estamos sólidos. No mata-mata a solidez é muito importante", disse o treinador após a vitória sobre a Escócia em Miami na quarta-feira.
- "Futebol de sensações" -
A solidez brasileira seguiu um padrão semelhante ao construído por Lionel Scaloni na Argentina campeã do mundo no Catar 2022: o impulso e o fortalecimento de parcerias em campo.
"No futebol, análise é o que não falta; o futebol é feito de sensações", disse o ex-meio-campista Pablo Aimar, um dos auxiliares de Scaloni, ao programa virtual Club Atlético Rock 'N Roll, em julho de 2025.
"Tem companheiros que te tornam melhor, não são necessariamente os mais vistosos, os mais famosos, os que fazem mais gols. Mas quando você se vê na fila, que vai entrar em campo, e na sua frente está aquele com quem você se entende, já sabe que vai jogar bem (...) E no dia em que ele não está, você diz: 'hoje vai ser mais difícil pra mim'".
Sem Rodrygo, Matheus Cunha ganhou espaço na convocação brasileira, mas não como um centroavante clássico, e sim como um meia-atacante ou falso nove que faz a ligação com os meio-campistas Lucas Paquetá, Casemiro e Bruno Guimarães.
Cunha, autor de três gols em sua primeira Copa do Mundo, começou como reserva, mas se firmou como titular contra o Haiti. Desde então, o meio-campo não só pareceu mais sólido defensivamente, como também se soltou no ataque, aproveitando a criatividade e a boa técnica de Paquetá e Guimarães.
"O Cunha também ajuda muito vindo como falso nove. Então a defesa [da Escócia] estava sempre na dúvida em quem marcar. Acho que o nosso terceiro gol que o Cunha fez, que eu dei assistência, foi algo que a gente trabalhou. Eu entrei ali atacando como se fosse um camisa nove", disse o volante do Newcastle após vencer os escoceses.
- "Satisfatório" -
Paquetá, utilizado no passado como camisa 10 ou pela ponta, agora atua mais recuado para dar apoio a Casemiro como volante. É o jogador do Flamengo quem organiza a saída de bola da equipe e já registrou sua primeira assistência, no 3 a 0 marcado por Vini Jr. contra o Haiti.
Os dois se conhecem desde que jogaram juntos nas categorias de base do clube carioca. Estrearam como profissionais no Flamengo e depois chegaram à Seleção, com a qual vivem um romance após anos de atuações questionadas e críticas.
"Eu e o Vini temos uma amizade muito bonita de muito tempo", afirmou o meio-campista. "Estar com ele aqui na Seleção vivendo mais uma Copa do Mundo é especial demais pra nós", completou.
Aos 25 anos, Vinícius Jr. é um dos grandes nomes do futebol mundial com o Real Madrid e um dos destaques desta Copa do Mundo, na qual já marcou quatro gols e deu uma assistência em três partidas.
Mas durante anos, incluindo na participação no Catar 2022, suas atuações na Seleção ficaram abaixo do nível que mostrava no gigante espanhol.
Até que Ancelotti, com quem Vini ganhou duas Ligas dos Campeões pelo Real Madrid, se estabeleceu no Brasil e lhe deu a confiança que talvez estivesse faltando. Também fez com que ele jogasse um pouco mais centralizado, e não sempre pela esquerda, para explorar sua velocidade e o um contra um.
"É satisfatório (ver Vini brilhando) porque não tinha dúvida de como ele poderia chegar a essa Copa do Mundo (...) Para mim, Vini é um top", afirmou o treinador que, apesar dos sinais de esperança tem em mente o que quer no caminho rumo ao hexacampeonato: "Calma, calma, muita calma".
F.Qawasmeh--SF-PST