Sawt Falasteen - EUA convida ministro russo para reunião do G20 e irrita europeus

EUA convida ministro russo para reunião do G20 e irrita europeus
EUA convida ministro russo para reunião do G20 e irrita europeus / foto: Allison Joyce - AFP

EUA convida ministro russo para reunião do G20 e irrita europeus

Os Estados Unidos, que esperam atrair os países europeus para sua guerra econômica contra o Irã, foi alvo de críticas de seus parceiros nesta segunda-feira (31), ao convidar o ministro das Finanças russo para a reunião do G20.

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O governo americano tenta convencer seus parceiros do G20 a aumentar a pressão econômica sobre o Irã, durante as conversas em Asheville, na Carolina do Norte, que vão se prolongar até amanhã.

Como presidente do G20 neste ano, os Estados Unidos sediam os encontros do grupo. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, espera usar o evento para promover as políticas americanas, principalmente a desregulamentação, e convencer outros países a isolar ainda mais Teerã.

"Vamos continuar pressionando e já tivemos conversas muito boas aqui", disse Bessent antes do início da reunião. Ele indicou que um ponto de virada na campanha de pressão americana pode chegar "em questão de semanas ou meses", e ressaltou não ser necessário que a economia iraniana entre em colapso na guerra do Oriente Médio para que isso aconteça.

A primeira troca de ataques entre Estados Unidos e Irã em um mês acontece em meio ao encontro dos ministros das Finanças.

- Incômodo -

Presente na reunião, a União Europeia parecia disposta a reforçar suas próprias sanções. Mas, hoje, surgiram atritos devido a outra guerra, a iniciada pela Rússia contra a Ucrânia em 2022.

Normalmente considerado persona non grata, o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, estava entre os delegados do G20 e pôde conversar com Scott Bessent. Sua presença incomodou o bloco dos 27, o qual pediu que ele fosse excluído amanhã da foto oficial do encontro. "Receber o ministro das Finanças russo aqui envia um sinal que considero preocupante", disse seu par alemão, Lars Klingbeil.

"O presidente e seu governo não têm medo de falar com as pessoas que importam" para "encerrar um banho de sangue sem fim" na Ucrânia, disse à AFP o porta-voz da Casa Branca em Asheville, Kush Desai.

O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, disse que os planos americanos seriam ouvidos. "Todos temos que trabalhar nisso. Os Estados Unidos têm uma visão de como reforçar as sanções. Vamos discutir com eles se podemos ajudar nesse aspecto", afirmou.

- Tarifas -

Donald Trump atingiu todos os seus parceiros do G20 com sua ofensiva tarifária. Embora a Suprema Corte tenha derrubado a maioria das taxas, o governo americano continua buscando impor novas taxas sobre produtos importados e retomou as hostilidades comerciais com o Canadá.

"Agora que estamos em uma guerra comercial com o Canadá, não há unidade no G7. E sem unidade no G7, é difícil chegar ao G20 e ter discussões delicadas", disse à AFP Josh Lipsky, pesquisador do centro de estudos Atlantic Council.

O ministro canadense das Finanças, François-Philippe Champagne, disse hoje que chegou "disposto a dialogar", antes de ocupar seu lugar na grande mesa oval onde as discussões acontecem, a portas fechadas.

O G20 foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 para fortalecer a economia global e a estabilidade financeira. O grupo reúne 19 países, além da União Europeia e da União Africana.

- Ausências -

A África do Sul foi excluída das reuniões deste ano pelo governo americano, que acusou Pretória de perseguir agricultores brancos. Já o Brasil, que mantém uma relação tensa com Trump devido aos seus embates com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não enviou o ministro da Fazenda.

Veículos como Bloomberg e The New York Times afirmaram que não receberam credenciais de acesso, uma decisão condenada pela associação americana de jornalistas National Press Club.

J.Saleh--SF-PST