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Milei ante o dilema de negociar com a China e agradar a Trump
EUA negocia com investidores mais US$ 20 bilhões para a Argentina
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (15) que negociam com investidores privados um novo pacote de 20 bilhões de dólares (108,9 bilhões de reais) para a Argentina, o que aumentaria para 40 bilhões de dólares a ajuda financeira ao país sul-americano.
"Estamos trabalhando em uma linha de crédito de 20 bilhões, que seria complementar à nossa linha de troca de moedas [swap], com bancos privados e fundos soberanos, que acredito que seria mais orientada ao mercado da dívida", disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a jornalistas em Washington.
Bessent havia anunciado há seis dias um swap de 20 bilhões de dólares para apoiar o peso argentino. Também informou que o Tesouro americano havia começado a comprar pesos argentinos diretamente. A bolsa argentina subiu cerca de 5% logo após a divulgação do novo pacote de ajuda.
As negociações entre os dois países são intensas e incluem outras áreas de ajuda, indicou o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, em evento do Atlantic Council paralelo à sessão anual do FMI em Washington: Há "negociações na frente comercial e outras coisas, que não podemos revelar por motivos óbvios."
- 'Se ele não ganhar, nós saímos' -
O governo de Donald Trump vê claramente Milei como um aliado ideológico na região, em um momento em que os Estados Unidos estão mudando energicamente sua política externa para a América Latina, com ataques militares no Caribe e pressões comerciais a parceiros como o México.
Mas Trump agitou os mercados com uma declaração que soou alarmante ao receber Milei na Casa Branca na quarta-feira.
A ajuda financeira, que foi criticada por legisladores democratas em Washington, seria válida desde que o partido de Milei vencesse as eleições legislativas de 26 de outubro.
"Se ele não ganhar, nós saímos", chegou a dizer Trump sobre Milei, que viajou expressamente para o almoço de negócios na Casa Branca com toda a equipe econômica de seu gabinete.
Bessent esclareceu aos jornalistas nesta quarta-feira essas declarações: o apoio dos EUA será mantido desde que Milei possa exercer seu veto a iniciativas legislativas.
"Portanto, não se trata de uma questão relacionada com as eleições, mas com a política. Enquanto a Argentina continuar implementando boas políticas, contará com o apoio dos Estados Unidos", afirmou o secretário do Tesouro.
O próprio Milei concedeu uma entrevista à rede CNBC antes de retornar a Buenos Aires, na qual afirmou que, em sua opinião, a ajuda poderia ser mantida até o final de seu mandato, em 2027.
"Continuamos avançando nas ideias de liberdade, então, pelo menos até 2027, temos esse apoio garantido", disse, segundo a versão dublada para o inglês.
Bessent indicou que os Estados Unidos estão trabalhando em todo esse novo apoio substancial "há semanas".
As intervenções diretas dos Estados Unidos no mercado cambial continuam, com compras de pesos "nesta mesma manhã", disse nesta quarta-feira.
A Argentina já possui um crédito de 20 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e também um acordo de swap com a China.
Y.AlMasri--SF-PST