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França lança sua nova promotoria contra o tráfico de drogas
A França dispõe, a partir desta segunda-feira (5), de uma nova promotoria especializada no combate ao crime organizado, no âmbito de sua "guerra" contra o tráfico de drogas, diante de uma crescente preocupação com assassinatos relacionados.
Em abril, o Parlamento francês aprovou uma legislação para reforçar a luta antidrogas, que inclui esta promotoria e um novo regime penitenciário com prisões de segurança máxima inspirado nas leis contra as máfias italianas.
"A implementação desta promotoria especializada, como fizeram nossos amigos italianos, é um marco histórico na luta contra o tráfico de drogas", celebrou na noite de domingo o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, na rede social X.
Nos últimos anos, a França registrou uma forte violência ligada ao tráfico de drogas, com 110 mortos e 341 feridos apenas em 2024, mas o assassinato, em novembro, do irmão de um conhecido ativista antidrogas de Marselha acendeu o alerta.
"Estamos diante de pessoas muito perigosas", com modos operacionais que podem se aproximar "do terrorismo", porque "desestabilizam a ordem social", indicou à AFP a promotora Vanessa Perrée, que dirigirá a recém-criada Pnaco.
Este órgão, em cooperação com as promotorias locais, começará com 16 magistrados, entre eles seis especializados no crime organizado "clássico" e outros seis na área financeira. Outros dez devem ser incorporados em setembro.
"Em cada caso, haverá uma dupla" de promotores, respaldados por agentes especializados, para rastrear tanto as drogas quanto o dinheiro, com uma "investigação patrimonial exaustiva", explicou Perrée.
A nova lei permitirá aos investigadores criar uma ata confidencial para não divulgar determinadas técnicas investigativas, a possibilidade de ativar remotamente um celular para realizar escutas ou prisões sob custódia policial mais longas.
"A França não é um narcoEstado", segundo a promotora. "Precisamente estamos dotando-nos dos meios" necessários para evitá-lo, acrescentou.
A poucas semanas das eleições municipais de março, Perrée chamou a atenção para a eventual "influência dos traficantes de drogas nos bairros", quando tentam "substituir os serviços do Estado".
A Pnaco herda 170 processos em curso sobre tráfico de drogas, redes de imigração clandestina, tráfico de seres humanos, proxenetismo e roubos à mão armada, entre outros.
B.Khalifa--SF-PST