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Veto do governo talibã deixa 2,4 milhões de afegãs sem acesso ao ensino médio
Cerca de 2,4 milhões de jovens afegãs estão sendo privadas do ensino secundário desde o retorno dos talibãs ao poder há cinco anos, estima a Unesco, que pediu nesta terça-feira (11) o fim das "discriminações" no país.
Em 2026, o número de meninas afetadas aumentou em 200 mil em relação ao ano anterior. E, "se a proibição continuar, cerca de quatro milhões de meninas poderiam ser privadas dela até 2030", afirma a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em um novo relatório.
"Estas restrições fazem desaparecer duas décadas de avanços em termos de acesso à educação", afirma.
Quando o primeiro regime talibã caiu em 2001, em meio à ocupação dos Estados Unidos, o número de meninas matriculadas no ensino médio era muito limitado, mas chegou a um milhão duas décadas depois, ressalta a Unesco.
"As mulheres e meninas afegãs têm direito a aprender; é um direito humano fundamental. Têm direito a trabalhar. Devem desfrutar de liberdade de movimento (...) sem serem obrigadas a estar acompanhadas ou vigiadas, ou sofrer proibições dentro de suas comunidades", declarou Hoda Jaberian, coordenadora de programas de educação em situações de emergência, em coletiva de imprensa.
"A Unesco condena mais uma vez as discriminações contra mulheres e meninas e pede o restabelecimento imediato e incondicional de seu direito à educação", acrescentou Jaberian, instando "o mundo a não desviar o olhar".
Segundo a Unesco, mais da metade dos meninos e meninas em idade escolar está completamente fora do sistema educacional e mais de 90% das crianças de dez anos não sabem ler um texto simples.
O Afeganistão é o único país do mundo em que o ensino médio e a educação universitária são estritamente proibidos para meninas e mulheres, recorda a organização.
A Unesco indica que a manutenção destas proibições pode representar uma perda de receitas estimada em 9,6 bilhões de dólares (R$ 49 bilhões, na cotação atual) até 2066 para um país que atravessa uma grave crise econômica.
P.Tamimi--SF-PST