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Narcotráfico, guerrilhas e grupos paramilitares: o explosivo coquetel de violência na Colômbia
A Colômbia encara a maior onda de violência da última década, após diversos ataques de grupos armados que deixaram mais de 100 mortos e 36.000 deslocados desde a semana passada.
O pior foco do conflito está concentrado em Catatumbo, uma região de fronteira com a Venezuela repleta de plantações de coca e onde guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) travam confrontos com dissidentes da extinta guerrilha das Farc e também atacam a população civil.
Esses ataques, que o presidente de esquerda Gustavo Petro qualificou como "crimes de guerra", levaram à suspensão dos diálogos de paz do governo com o ELN.
"Desde a desmobilização das Farc em 2016, o ELN não parou de expandir e consolidar seu poder na Venezuela e nos departamentos fronteiriços colombianos (...) o único obstáculo que resta ao ELN é a Frente 33 (das dissidências Farc), que mantém uma forte presença" na região, explicou a ONG americana Insight Crime.
Além das guerrilhas, um punhado de organizações criminosas controla as rotas do narcotráfico na Colômbia, o maior produtor de cocaína do mundo. Algumas regiões isoladas são inacessíveis para o poder público, pois rebeldes e traficantes atuam como um Estado de fato.
Esses são os principais grupos armados da Colômbia:
- ELN -
De origem guevarista e fundada em 1964, essa guerrilha de esquerda opera principalmente na fronteira entre Colômbia e Venezuela. Segundo especialistas, seus guerrilheiros estão dos dois lados da fronteira e usam a Venezuela como retaguarda.
O ELN também tem uma forte presença nos departamentos de Bolívar (norte), Antioquia, Chocó (noroeste), Valle del Cauca, Cauca e Nariño (suroeste).
Na quarta-feira, o Ministério Público colombiano reativou ordens de prisão contra mais de 30 rebeldes do ELN. Os mandados haviam sido levantados entre 2022 e 2023 por um pedido de Petro, como parte das negociações agora suspensas.
Entre eles estão 'Pablo Beltrán', 'Antonio García' e 'Gabino', principais chefes do ELN.
- Clã do Golfo -
É o principal cartel do narcotráfico colombiano. De origem paramilitar de extrema direita, o grupo se autodenomina Exército Gaitanista da Colômbia e insiste em ser tratado como uma organização política.
Também está realizando aproximações com o governo de Petro. Mas, em dezembro, o presidente excluiu da mesa de negociações três de seus principais líderes, incluindo 'Chiquito Malo', chefe da organização, após a captura e posterior extradição para os Estados Unidos de Dairo Antonio Úsuga, o 'Otoniel', em 2022.
O Clã tem uma presença especialmente forte nos departamentos do noroeste da Colômbia, embora também mantenha células em Meta, Vichada (leste), Casanare (nordeste), Valle del Cauca e Nariño (suroeste). Também é vinculado ao tráfico de migrantes pela selva do Darién, na fronteira com o Panamá, embora seus líderes neguem tal ligação.
- Dissidências das Farc -
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinaram um acordo histórico de paz com o governo da Colômbia em 2016, após mais de 50 anos de luta armada. Mas alguns de suas frentes se afastaram do processo de desmobilização.
Após sua fragmentação, reorganizaram-se com novos recrutas em grupos hoje em confronto entre si: A Segunda Marquetalia e o Estado Maior Central (EMC).
O EMC é o maior agrupamento de estruturas dissidentes das Farc, embora esteja dividido. A cisão sob o comando de 'Iván Mordisco' se afastou dos diálogos com o governo em abril e intensificou sua pressão contra o Estado com uma onda de violência que afetou principalmente os departamentos de Valle del Cauca e Cauca (suroeste). Outra facção, sob o comando de 'Calarcá', criou um grupo independente que continua em conversações com o governo de Petro.
A Segunda Marquetalia é um agrupamento fundado por ex-integrantes das Farc desmobilizados em 2016 que pegaram em armas novamente. A facção tem influência principalmente na fronteira com a Venezuela, mas também em vários departamentos de Amazônia (sul) e Nariño (sudoeste). O ex-número dois das Farc, Iván Márquez, que foi chefe negociador da paz, é reconhecido como seu líder.
A Segunda Marquetalia também se encontra dividida após uma ruptura de duas facções que, em novembro, criticaram a falta de vontade de Márquez de continuar em uma mesa de diálogo com o governo de Petro instalada em junho, em Caracas.
U.AlSharif--SF-PST