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EUA continua buscas intensas por atirador do Maine
Dois dias após o massacre que deixou 18 mortos no Maine, a polícia americana intensificou nesta sexta-feira (27) a busca pelo autor dos assassinatos no nordeste do país.
"Uma enorme quantidade de equipe policial, tempo e esforço, está sendo direcionada 24 horas por dia" para encontrar o principal suspeito, disse o chefe de polícia da cidade de Lewiston, David St. Pierre, em uma coletiva de imprensa na manhã de sexta-feira.
Robert Card, de 40 anos, um soldado reservista do exército, é acusado de abrir fogo em uma pista de boliche e um bar-restaurante, matando 18 pessoas e ferindo outras 13.
Agentes da polícia e do FBI foram instalados nesta sexta em vários locais. Entre eles, a orla do rio em que o automóvel do suspeito foi encontrado - onde planejam explorar seu fundo com sonar e mergulhadores.
A busca parecia prestes a terminar na noite de quinta-feira, quando a polícia se concentrou em frente a uma casa que pertencia, de acordo com um vizinho entrevistado pela AFP, à família do suspeito.
"Por favor, saia", repetiam os policiais durante toda a noite, com alto-falantes, "gostaríamos de falar com você". Os policiais, entretanto, partiram sem fazer declarações aos vários jornalistas presentes no local, e sem terem localizado o suspeito.
Drones, helicópteros e veículos blindados foram destinados para as proximidades da área.
- "Lewiston forte" -
Lewiston se transformou em uma cidade fantasma, depois que seus 36.000 habitantes receberam ordens das autoridades para se confinarem em suas casas devido ao perigo que Card representava.
Escolas e comércios fecharam suas portas, já o estacionamento da escola de ensino médio foi ocupado por policiais uniformizados e fortemente armados.
Na fachada de uma loja, Jeremy Hiltz, um morador, estendeu uma faixa com a frase "Lewiston forte" escrita.
Os habitantes da cidade "vivem agora com uma sensação de vulnerabilidade da qual não acho que estávamos cientes" antes da tragédia, disse Hiltz.
Sete pessoas, uma mulher e seis homens, perderam a vida na pista de boliche "Just-In-Time"; oito morreram no bar-restaurante "Schemengees", localizado a poucos minutos de distância, e outros três feridos faleceram no hospital.
De acordo com relatos de testemunhas que estavam no boliche, os clientes se esconderam debaixo das mesas e dentro das máquinas, no final das pistas. "Me joguei em cima da minha filha, e minha mãe em cima de mim", descreveu Riley Dumont ao canal ABC.
Uma imagem divulgada pela polícia mostra um homem, vestido com uma camiseta marrom, entrando no estabelecimento com um fuzil semiautomático no ombro.
As autoridades não divulgaram as identidades das vítimas, mas entre os mortos no bar-restaurante Schemengees está Joseph Walker, de 57 anos, que trabalhava no local, contou seu pai para várias mídias americanas.
A polícia contou à família de Walker que o homem tentou deter o assassino com uma faca de cozinha antes de ser baleado.
- Uma nação "em luto" -
Na manhã de quinta, ao anunciar o elevado número de vítimas, a governadora do estado, Janet Mills, descreveu como "um dia sombrio para o Maine".
O presidente Joe Biden lamentou o ato, classificando-o como "trágico e sem sentido".
Ele ordenou que a bandeira nacional fosse hasteada a meio mastro nos edifícios federais. "Novamente, nossa nação está de luto", disse, pedindo mais uma vez ao Congresso a proibição de armas de assalto - um ponto em que democratas e republicanos discordam há décadas.
O massacre de quarta-feira é o pior nos Estados Unidos desde o ataque a tiros em uma escola de Uvalde, no Texas, em maio de 2022, que matou 19 crianças e dois professores.
Este é um preço alto que o país paga pela proliferação de armas de fogo em seu território e pela facilidade com que os cidadãos têm acesso a elas.
Sem contar com os suicídios, mais de 15.000 pessoas morreram devido à violência armada no país desde o início do ano, segundo a organização não governamental Gun Violence Archieve.
Maine é um dos estados com a menor taxa de homicídios per capita. Os 18 mortos no último incidente representam, de acordo com a associação Everytown, mais do que a média anual de homicídios por armas de fogo no estado.
O.Farraj--SF-PST