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STF condena a até 17 anos de prisão primeiros réus do 8 de janeiro
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quinta-feira (14), a penas de até 17 anos de prisão os três primeiros réus dos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
"O plenário do STF, por maioria de votos", decidiu condenar "o réu Aécio Lúcio Costa Pereira à pena de 17 anos", afirmou a presidente da corte, ministra Rosa Weber, na conclusão do primeiro julgamento de bolsonaristas que invadiram e depredaram o Palácio do Planalto e os prédios do Congresso Nacional e do STF, inconformados com a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de outubro.
Na sequência, o Supremo condenou Thiago de Assis Mathar a 14 anos de detenção e Matheus Lima de Carvalho a 17 anos pelos mesmos crimes de Aécio.
Em todos os casos, as sentenças que prevaleceram foram as mais duras propostas entre os 11 ministros da corte.
Morador de São Paulo, Aécio, de 51 anos, participou da invasão ao Congresso Nacional e foi condenado por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, de golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio público.
Ele também foi condenado a pagar multa individual e uma indenização por "danos morais e materiais coletivos" de 30 milhões de reais juntamente com os outros condenados.
O 8 de janeiro "não foi mesmo um domingo no parque, foi um domingo de devastação, o dia da infâmia", lamentou a ministra Rosa Weber, acompanhando o relator, ministro Alexandre de Moraes, que votou na quarta-feira.
A invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes ocorreu apenas uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu as eleições por uma margem apertada.
"O objetivo era, mediante a violência, sitiar Brasília e alastrar pelo país a prática de atos criminosos, atentatórios contra o Estado de direito", afirmou Cristiano Zanin, um dos ministros a votar nesta quinta.
Além de invadir e depredar os edifícios, os manifestantes quebraram vidraças, cadeiras, mesas, obras de arte valiosas e móveis históricos, como um relógio trazido ao Brasil pela corte portuguesa, em 1808.
O ministro Alexandre de Moraes, que propôs a sentença de 17 anos de prisão, disse que os autores dos ataques queriam "convencer o Exército a aderir a esse golpe de Estado" e "tinham certeza de que conseguiriam".
Moraes exibiu um vídeo de Aécio dentro do Senado, comemorando a invasão e incentivando-a pelas redes sociais.
Apenas dois ministros do STF desestimaram as acusações de tentativa de golpe.
"A deposição do governo dependeria de atos que não estavam ao alcance dessas pessoas", argumentou o ministro André Mendonça, que defendeu esta posição. No entanto, ele também votou pela condenação do réu a oito anos de prisão pelos outros crimes.
Os advogados de Aécio sustentaram que o réu não estava armado durante os ataques e que não cometeu nenhum ato violento.
No caso de Thiago, de 43 anos, Moraes lembrou que o réu circulou pelo gabinete da Presidência no Palácio do Planalto no dia da destruição.
"Ele veio aqui para dar golpe, para atacar os poderes constituídos, para derrubar o governo democraticamente eleito. Só que deu errado e foi preso", disse o relator.
O advogado de Thiago garantiu que seu cliente queria "um país melhor, não queria vir para fazer bandalheira".
Sobre Matheus, que invadiu o Congresso no 8 de janeiro, Moraes exibiu áudios enviados pelo réu à esposa dizendo: "É pra quebrar, pra dá desordem, pro Exército vim."
- Mais de 200 julgamentos -
Bolsonaro, que foi recentemente declarado inelegível por oito anos por ter praticado desinformação sobre o sistema eleitoral, é investigado por seu suposto papel como incentivador dos ataques golpistas.
O ex-presidente, que estava nos Estados Unidos no momento dos fatos, nega qualquer responsabilidade.
Antes de 8 de janeiro, milhares de seus apoiadores, convencidos de que Bolsonaro havia sido vítima de fraude eleitoral, promoveram bloqueios em rodovias e manifestações em frente a quartéis militares, pedindo uma intervenção militar.
A Polícia Federal deteve nesta quinta-feira em Foz do Iguaçu (sul) três suspeitos de participação nos atos de 8 de janeiro, em colaboração com a Polícia Nacional do Paraguai, pois haviam fugido para o país vizinho.
Um deles era considerado foragido pela tentativa de atentado a bomba nas imediações do aeroporto de Brasília na véspera do Natal de 2022, informou a PF em nota.
Membros da cúpula policial do Distrito Federal foram detidos no mês passado, acusados de omissão e tentativa de golpe de Estado, depois que as investigações revelaram, segundo a justiça, alinhamento com os autores dos ataques.
Além das denúncias pelos crimes mais graves, a PGR analisa mais de mil casos relacionados com os ataques que, em vez de um processo criminal, vão resultar em multas e contribuições sociais, caso se chegue a um acordo.
S.AbuJamous--SF-PST