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Europa planeja criar potência de satélites para rivalizar com Starlink de Musk
Três dos principais grupos aeroespaciais europeus anunciaram nesta quinta-feira (23) um plano para fundir suas operações de satélites e criar uma potência capaz de competir, em particular, com o sistema de internet Starlink de Elon Musk.
A fusão, cujos detalhes financeiros não foram revelados, ocorre enquanto a Starlink e o Projeto Kuiper da Amazon competem para implantar redes de satélites que ofereçam acesso à internet de banda larga em vastas regiões do mundo que carecem de conectividade confiável.
O grupo europeu Airbus, o francês Thales e o italiano Leonardo afirmaram que o objetivo é "reforçar" a autonomia estratégica da Europa no espaço, um setor que sustenta "as telecomunicações, a navegação global, a observação da Terra, a pesquisa científica, a exploração e a segurança nacional".
A União Europeia planeja criar sua própria constelação de satélites de Internet chamada Iris2, com o objetivo de que ela esteja em operação até 2030.
Embora tenha apenas 300 satélites, Iris2 se concentraria em "comunicações seguras", disse o diretor da Agência Espacial Europeia, Josef Aschbacher, em uma entrevista à AFP neste mês. "A Europa precisa disso com urgência", assegurou.
A Thales também afirmou nesta quinta-feira que um contrato inicial de Engenharia de 100 milhões de euros (625 milhões de reais) com operadores de satélites para o Iris2 permitirá interromper os cortes de empregos planejados em suas operações espaciais.
- "Excelente notícia" -
Os rendimentos anuais do novo grupo europeu de satélites foram estimados em 6,5 bilhões de euros (40,6 bilhões de reais) com base nas operações atuais, e sua carteira de pedidos representaria mais de três anos de vendas projetadas. Além disso, empregariam cerca de 25.000 pessoas.
Terá sua sede em Toulouse, no sudoeste da França, onde cada empresa já possui importantes instalações de produção e P&D.
Se os reguladores europeus aprovarem, o novo projeto, chamado Bromo, estaria operacional em 2027, com a Airbus possuindo uma participação de 35%, enquanto Thales e Leonardo teriam cada um 32,5%.
As empresas constroem, implantam e mantêm uma variedade de satélites de telecomunicações e navegação que apoiarão o desenvolvimento de redes de alta velocidade em todo o mundo.
"Esta parceria está alinhada com as ambições dos governos europeus de fortalecer seus ativos industriais e tecnológicos, garantindo a autonomia da Europa no âmbito espacial estratégico e suas múltiplas aplicações", disseram os presidentes executivos de cada empresa em um comunicado conjunto.
O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, cujo país junto com a Alemanha e a Espanha possui participações minoritárias na Airbus, qualificou o acordo como uma "excelente notícia".
"A criação de uma grande empresa europeia de satélites permitiria aumentar os investimentos em pesquisa e inovação em uma indústria estratégica e reforçar nossa soberania europeia em um contexto de intensa competição mundial", acrescentou em um comunicado.
F.Qawasmeh--SF-PST