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Quênia começa a administrar novo tratamento injetável para prevenir o HIV
O Quênia começou a aplicar, nesta quinta-feira (26), as primeiras doses de um novo e promissor tratamento de prevenção do HIV em um bairro popular da capital, Nairóbi, segundo fontes oficiais.
O lenacapavir é um tratamento injetável contra o HIV que só deve ser administrado duas vezes ao ano. Segundo especialistas, representa um avanço enorme em comparação aos tratamentos que exigem a ingestão de um comprimido diário.
"É um momento de esperança para milhares de famílias quenianas", comemorou o ministro da Saúde, Aden Duale, durante um ato público.
O Quênia faz parte dos nove países africanos selecionados no ano passado para introduzir o lenacapavir, que desde dezembro já é aplicado em África do Sul, Essuatíni e Zâmbia.
O tratamento tem custo extremamente elevado, de mais de 28.000 dólares — aproximadamente 144.000 reais — por paciente ao ano nos Estados Unidos, segundo a UNAIDS.
Em julho passado, a agência da ONU tinha pedido à fabricante, Gilead Sciences, que "reduzisse seu preço".
No Quênia, o tratamento custará apenas 7.800 xelins quenianos (cerca de 300 reais) por pessoa ao ano, graças a "um acordo negociado com a fabricante", segundo o ministro Duale.
Cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem com HIV no Quênia, em sua maioria jovens entre os 15 e os 24 anos.
"Muitos dos nossos jovens seguem expostos ao risco de infecção (...), esta inovação nos dá uma força renovada em nossa luta nacional contra o HIV", afirmou Duale.
Na semana passada, o Quênia recebeu seu primeiro lote de 21.000 doses, graças a um acordo entre a fabricante do lenacapavir, a Gilead Sciences, e o Fundo Mundial de luta contra a aids.
O lenacapavir permite maior discrição que as visitas regulares aos centros de saúde para seguir um tratamento, explicou Carol Njomo, agente de saúde comunitária no bairro de Kawangware, onde são administradas as primeiras doses.
"É uma proteção adicional", comemorou Samson Mutua, de 27 anos, a primeira pessoa a receber a injeção.
Peace Lawrence, trabalhadora sexual de 23 anos, descreveu a nova opção de tratamento como "um alívio", pois costuma se esquecer de tomar a profilaxia pré-exposição (PrEP), um tratamento preventivo existente na forma de comprimidos, que exige ingestão muito frequente.
Este novo tratamento surge em um momento em que os países africanos enfrentam reduções da ajuda humanitária mundial, especialmente dos Estados Unidos, o que afeta os programas de luta contra o HIV/aids em todo o continente.
V.AbuAwwad--SF-PST