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EUA entrega medicamento contra o HIV a dois países africanos
Os Estados Unidos anunciaram, nesta terça-feira (18), a entrega de um novo tratamento contra o HIV a dois países africanos, meses depois de o presidente Donald Trump ter cortado as ajudas internacionais.
Washington planeja ampliar a distribuição do medicamento lenacapavir em colaboração com o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária e a farmacêutica americana Gilead Sciences.
Cerca de mil doses foram enviadas para Essuatíni e Zâmbia e começarão a ser distribuídas esta semana, disse o diretor-executivo do Global Fund, Peter Sands.
Os Estados Unidos planejam financiar dois milhões de doses para países africanos de baixa e média renda até 2028, disse o coordenador de ajuda internacional do Departamento de Estado, Jeremy Lewin.
Essa meta pode ser alcançada antes, em meados de 2027.
O lenacapavir, comercializado sob a marca Yeztugo, é um novo tratamento injetável contra o HIV que requer apenas duas aplicações por ano, o que representa uma grande melhora em relação a outros tratamentos com comprimidos diários, segundo especialistas.
O medicamento, fabricado pela Gilead Sciences, poderia reduzir significativamente o número de infecções por HIV, especialmente em mulheres grávidas e lactantes.
Desde que voltou ao poder em 20 de janeiro, Trump cortou mais de 80% das ajudas internacionais, com o argumento de que são um desperdício e não beneficiam os interesses dos Estados Unidos.
Sua administração afirmou que destinará a assistência a países individualmente.
Desde 2010, os esforços globais conseguiram reduzir as infecções por HIV em 40%, mas dados da UNAIDS projetam que houve 1,3 milhão de novos casos em 2024.
O diretor-executivo da Gilead Sciences, Daniel O'Day, disse que a intenção é obter autorização para distribuir o medicamento em Botsuana, Quênia, Malaui, Ruanda, Namíbia, Tanzânia e Zimbábue.
"É um momento realmente importante na história do HIV" porque "é a primeira vez na história que um tratamento administrado na África ocorre no mesmo ano em que é aprovado nos Estados Unidos", disse o executivo.
Uma pesquisa publicada na segunda-feira por especialistas de Brasil, Espanha e Moçambique estima que os cortes nas ajudas dos Estados Unidos e dos países europeus podem causar, até 2030, cerca de 22,6 milhões de mortes de causas evitáveis.
K.AbuTaha--SF-PST