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Condenado e com problemas de saúde, Bolsonaro é diagnosticado com câncer de pele
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado na semana passada por tentativa de golpe de Estado, foi diagnosticado com câncer de pele, anunciou seu médico nesta quarta-feira (17).
Bolsonaro, de 70 anos, tem um "carcinoma de células escamosas, que não é nem o mais bonzinho, nem o mais agressivo, é intermediário, mas que ainda assim é um tipo de câncer de pele que pode ter consequências mais sérias", disse o médico Cláudio Birolini a jornalistas.
Pouco antes, o ex-presidente havia deixado o hospital DF Star, em Brasília, onde estava internado desde a terça-feira após sentir um mal-estar, constatou um fotógrafo da AFP.
O líder da direita e da extrema direita foi condenado na semana passada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por ter tramado um golpe de Estado contra seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele está em prisão domiciliar preventiva desde agosto, sob estrita vigilância policial.
- Avaliação periódica -
Em um boletim, o DF Star informou que Bolsonaro chegou ao hospital na terça-feira "desidratado, com elevação da frequência cardíaca e queda da pressão arterial".
"Exames evidenciaram persistência da anemia e alteração da função renal", acrescentou.
Após ser tratado com hidratação e medicação intravenosa, seus sintomas melhoraram e o ex-presidente recebeu alta, anunciou o hospital posteriormente.
Ele continuará sob supervisão médica, prosseguiu o centro médico.
O diagnóstico de câncer, no entanto, está relacionado aos exames que Bolsonaro realizou no último domingo, quando teve removidas várias lesões suspeitas da pele.
"Das sete lesões, duas foram positivas" para carcinoma, disse Birolini, explicando que daqui em diante o ex-presidente precisará de acompanhamento clínico e avaliação periódica.
- Queixas frequentes de mal-estar -
Bolsonaro tem se queixado frequentemente de mal-estar, especialmente de soluços crônicos e vômitos.
Alguns destes problemas de saúde são resultantes da facada que sofreu no abdômen durante a campanha para as eleições presidenciais de 2018.
Desde então, ele foi submetido a várias cirurgias, a última delas em abril para tratar uma obstrução intestinal.
Bolsonaro não compareceu às últimas sessões do julgamento da trama golpista devido a problemas de saúde, segundo seus advogados.
Na semana passada, a Primeira Turma do STF o considerou culpado de liderar uma organização criminosa para se manter no poder, após perder as eleições presidenciais de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A defesa do ex-presidente anunciou que vai apelar da sentença, inclusive em instâncias internacionais.
Caso a condenação seja confirmada, Bolsonaro poderia pedir para cumprir sua pena em casa, se for demonstrado que tem problemas de saúde.
Enquanto isso, seus aliados tentam votar no Congresso uma lei de anistia para seu líder e os milhares de bolsonaristas que participaram dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
O governo do presidente americano, Donald Trump, que impôs elevadas tarifas punitivas ao Brasil por considerar que Bolsonaro é vítima de uma "caça às bruxas", advertiu que adotará novas medidas após a condenação de seu aliado, mas ainda não especificou quais.
T.Khatib--SF-PST