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Presidente da Comissão Europeia encara moção de censura sem riscos reais
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfrenta nesta segunda-feira (7) as perguntas dos eurodeputados que criticam sua gestão centralizada e falta de transparência, antes da votação de uma moção de censura com poucas chances de êxito.
O processo foi promovido por um setor da extrema direita no Parlamento Europeu e praticamente não tem nenhuma chance de provocar a queda de Von der Leyen na votação marcada para quinta-feira.
A presidente será submetida a um intenso interrogatório no plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, mas também terá a chance de responder aos críticos.
O processo foi iniciado por um eurodeputado romeno de extrema direita, Gheorghe Piperea, que critica a falta de transparência da dirigente e da Comissão no chamado escândalo "Pfizergate".
Von der Leyen nunca tornou pública uma troca de mensagens de texto com o CEO da Pfizer, Albert Bourla, durante a pandemia de coronavírus, quando a Comissão estava negociando a compra de grandes quantidades de vacinas do laboratório.
O caso motivou fortes críticas de várias associações da sociedade civil.
O jornal The New York Times recorreu à Justiça para ter acesso à troca de mensagens, mas descobriu que o conteúdo não havia sido preservado.
Piperea também acusa a Comissão Europeia de "interferir" nas eleições presidenciais da Romênia em maio, que tiveram como vencedor Nicusor Dan, um apoiador da União Europeia.
O nacionalista Calin Georgescu havia vencido um pleito anterior, em novembro, que foi anulado pelo Tribunal Constitucional do país devido a irregularidades e suspeitas de interferência russa.
- "Uma vergonha" -
Embora a moção deva receber o apoio de parte do bloco de extrema direita, a tentativa de destituir Von der Leyen parece fadada ao fracasso.
O próprio grupo político de Piperea, os Conservadores e Reformistas (ECR), já se distanciou da ideia.
Além disso, o bloco ECR inclui legisladores que respondem à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que é mais conciliadora em relação à presidente da Comissão.
Enquanto isso, o maior bloco do Parlamento Europeu, o majoritário Partido Popular Europeu (PPE, centro-direita), está unido em torno de Von der Leyen, uma das principais figuras deste partido.
O líder do PPE, o alemão Manfred Weber, zombou dos "fantoches de Putin no Parlamento Europeu" que "estão tentando minar a unidade da Europa e derrubar a Comissão em um momento de turbulência global e crise econômica", o que ele considerou como "uma vergonha para os cidadãos europeus".
O equilíbrio político do Parlamento Europeu tem como base um tripé formado pelo PPE, os Socialistas e Democratas (S&D, centro-esquerda) e o Renew (liberais centristas).
Embora os social-democratas e os centristas não escondam sua irritação com o crescente conservadorismo de Von der Leyen, dificilmente apoiarão uma iniciativa de extrema direita que desencadeie uma crise institucional.
Os dois blocos têm criticado regularmente o PPE por suas ambiguidades em relação à extrema direita, sobretudo por se juntar ao questionamento das leis ambientais.
Outra reclamação é a gestão cada vez mais centralizada de Von der Leyen em seu segundo mandato.
O episódio que levou as tensões ao ponto de ruptura foi a ameaça da Comissão de retirar um projeto de lei contra o greenwashing corporativo, que já está sendo negociado no Parlamento Europeu.
A iniciativa foi recebida como uma afronta pelos eurodeputados.
Uma moção de censura à Comissão Europeia nunca foi aprovada anteriormente.
A.AbuSaada--SF-PST