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Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinam pacto de defesa em meio a tensão com Irã
Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram, nesta sexta-feira (7), um pacto de defesa conjunta em um contexto marcado pelos ataques houthis contra o reino saudita e pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
O país do Golfo quer reforçar suas alianças de segurança após ter sido alvo de disparos vindos do Irã, assim como outros aliados de Washington na região, e dos rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã.
Segundo especialistas consultados pela AFP, o pacto envia uma mensagem a Teerã, mas também a Washington, visto como um parceiro cada vez menos confiável.
"O acordo tem como objetivo fortalecer a dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão e estipula que qualquer ataque armado contra um dos três Estados será considerado um ataque contra todos eles", informou o Ministério das Relações Exteriores paquistanês.
A Presidência turca afirmou que o acordo de defesa "não tem como alvo nenhum país em particular" e ressaltou que contribuirá para "a preservação da paz e da estabilidade em nossa região", declarou em comunicado o diretor de Comunicação da Presidência turca, Burhanettin Duran.
O acordo, assinado em Meca pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan e pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, vinha sendo discutido há algum tempo, "mas os acontecimentos recentes na região aceleraram o ritmo", afirmou à AFP uma fonte próxima ao Exército saudita, que pediu anonimato.
Os três países muçulmanos sunitas participam dos esforços para resolver a guerra entre o Irã e os Estados Unidos, desencadeada em fevereiro por bombardeios israelenses-americanos contra Teerã e que abalou a economia mundial.
A Arábia Saudita e o Paquistão, país dotado de bomba atômica, já estavam ligados por um acordo de defesa mútua concluído em setembro de 2025.
Em uma mensagem no X, o vice-ministro saudita de Diplomacia Pública, Rayed Krimly, afirmou que "o acordo não representa um esforço para estabelecer um eixo militar ou um bloco" e "também não está vinculado a qualquer ambição nuclear ou corrida armamentista".
Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College de Londres, considera o pacto "um dos sinais mais claros até agora de que o Oriente Médio está se afastando de uma ordem de segurança organizada exclusivamente pelos Estados Unidos".
Esse anúncio reforça a ambição da Arábia Saudita de se tornar o eixo da segurança regional e de diversificar sua defesa, acrescenta.
Para a Turquia, que é membro da Otan, e para o Paquistão, trata-se de ganhar influência e atrair investimentos sauditas.
O pacto foi assinado em um momento em que parecem se vislumbrar avanços em relação ao Estreito de Ormuz, fundamental para o trânsito mundial de hidrocarbonetos.
burs-ht/cgo/anb/erl/pb/jc/aa
G.AbuGhazaleh--SF-PST