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Ceuta alerta que situação dos menores migrantes é 'insustentável'
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, alertou nesta quarta-feira (5) que o número de menores migrantes que permanecem nesse enclave espanhol no norte da África após a crise migratória é “insustentável” e pediu ajuda ao governo.
Cerca de 72 mil migrantes entraram na semana passada em Ceuta, a grande maioria a nado ou a pé. Desse total, aproximadamente 70 mil já retornaram ao vizinho Marrocos, segundo dados espanhóis.
A entrada irregular em massa deixou pelo menos 78 mortos, após a recuperação de um corpo no fim desta quarta, informaram autoridades judiciais espanholas. Entre os que permanecem em Ceuta há centenas de menores de idade desacompanhados.
"Neste momento, a capacidade de acolhimento de menores em Ceuta está 2.600% acima de seu limite crítico", alertou Vivas à emissora pública RTVE, estimando que cerca de 1.100 estejam atualmente sob os cuidados da cidade autônoma.
"É uma situação absolutamente insustentável", acrescentou Vivas, membro do Partido Popular, principal partido de oposição ao governo espanhol do primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez.
Grupos de jovens migrantes continuavam circulando pelas ruas de Ceuta nesta quarta-feira, reunindo-se em parques e praias enquanto as autoridades trabalhavam para identificá-los e alojá-los, constatou um jornalista da AFP.
“Ainda há menores em nossas ruas e isso é uma prioridade, uma grande preocupação”, declarou, por sua vez, o delegado do governo, Miguel Ángel Pérez.
Vivas, que afirmou que Ceuta continua “com a alma em suspenso”, pediu auxílio ao restante da Espanha.
O Ministério da Juventude e da Infância da Espanha anunciou um financiamento emergencial de 25 milhões de euros (cerca de R$ 160 milhões) para Ceuta, a fim de ajudar esse diminuto território de 84 mil habitantes a acolher os menores.
De acordo com a legislação espanhola, as comunidades autônomas devem colaborar no acolhimento de menores oriundos de áreas em situação de tensão extraordinária. No entanto, essa norma enfrenta resistência em algumas regiões governadas pelo Partido Popular em coalizão com o partido de extrema direita Vox.
“O Partido Popular e os governos administrados pelo Partido Popular têm de cumprir a lei como todos os demais”, ressaltou, contudo, o primeiro vice-presidente do governo espanhol e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, à televisão pública.
Questionado sobre uma possível falta de preparação, apontada por alguns críticos ao governo central, Cuerpo destacou o caráter “excepcional” dos acontecimentos.
Vivas afirmou, porém, que dias antes da crise havia alertado o governo central de que “estava ocorrendo um intenso fluxo de entradas em Ceuta” e chegou a solicitar a declaração de emergência nacional que, segundo ele, foi rejeitada pelo Executivo por “não ser juridicamente viável”.
“Demos indicações suficientes para demonstrar que a situação estava se tornando muito tensa e que era necessária a adoção de medidas excepcionais”, lamentou.
J.AbuHassan--SF-PST