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Conselho de Paz tranquiliza Israel após objeções a retirada de Gaza
O Conselho de Paz do presidente americano, encarregado de implementar a segunda fase do plano para a Faixa de Gaza, garantiu nesta segunda-feira (3) a Benjamin Netanyahu que a retirada de Israel do território palestino começará apenas após o desarmamento completo do Hamas, após objeções do premier israelense.
O desarmamento do movimento islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, é um dos principais obstáculos para o fim do seu conflito com Israel, após um cessar-fogo em outubro de 2025.
“Assinalamos que a retirada de Israel para além da Linha Amarela ocorrerá unicamente uma vez que o desarmamento esteja completo, tal como o Hamas se comprometeu perante os mediadores”, publicou o Conselho no X, em referência à linha de demarcação entre as áreas controladas pelo Hamas e por Israel.
O alto representante para Gaza no Conselho de Paz, Nikolai Mladenov, reuniu-se nesta segunda com Netanyahu em um encontro que ele próprio qualificou como difícil. No entanto, o Conselho afirmou que havia alcançado um “entendimento comum dos objetivos compartilhados” com Israel.
Israel havia apresentado objeções ao texto divulgado na quinta-feira pelo Conselho, que pedia uma retirada gradual dentro do território palestino e o fim imediato dos ataques israelenses em Gaza.
“Israel transmitiu aos seus pares americanos suas observações e preocupações sobre o marco proposto”, declarou nesta segunda à AFP um porta-voz de Netanyahu, em nova demonstração das tensões surgidas entre os aliados, apesar da reunião que o primeiro-ministro israelense e Trump tiveram em Washington no fim de julho.
“A versão tornada pública não reflete a posição de Israel”, acrescentou esse porta-voz, Doron Spielman. O Hamas havia anunciado na sexta-feira que aceitava o roteiro elaborado pelo Conselho.
A versão divulgada pelo Conselho prevê o fim das operações militares de ambas as partes, bem como o desmantelamento do armamento do Hamas e seu armazenamento pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um órgão tecnocrático palestino encarregado de gerir o território em uma fase transitória.
Esse desarmamento estará vinculado a uma retirada progressiva israelense. A Força Internacional de Estabilização (ISF), atualmente em formação, deverá ser mobilizada para separar as forças israelenses das zonas controladas pelo NCAG.
Mas Israel reiterou nesta segunda-feira que “não se retirará e continuará a neutralizar qualquer ameaça”, de acordo com uma fonte política.
Após o anúncio do acordo, Israel prosseguiu de fato seus bombardeios em Gaza, segundo uma fonte de segurança local, que contabilizou “mais de dez ataques aéreos” nos quais 19 pessoas morreram desde domingo.
Nesta segunda, outro ataque israelense contra um veículo no oeste da Cidade de Gaza matou dois palestinos e feriu vários outros, segundo Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil. O exército israelense indicou à AFP que tinha como alvo dois indivíduos.
– 'Violações contínuas' –
Catar, Egito e Turquia, países mediadores, condenaram nesta segunda Israel por suas “violações contínuas” no território palestino após os últimos ataques, que constituem, segundo eles, “uma violação flagrante do direito internacional e do direito internacional humanitário”.
Desde outubro, mais de 1.200 palestinos morreram em Gaza, de acordo com as autoridades do território. O exército israelense afirma ter perdido ali cinco soldados nesse mesmo período, além de um empreiteiro civil.
Trump qualificou essa nova etapa de seu plano como um “marco importante” nos esforços para encerrar o conflito desencadeado pelo ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Spielman disse que os serviços de inteligência israelenses determinaram que o Hamas se rearmou e recrutou mais pessoas desde o cessar-fogo, ações que demonstram, em sua opinião, que o grupo se prepara para “novos massacres do tipo de 7 de outubro”.
“O primeiro passo indispensável para qualquer acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e irreversível do Hamas”, declarou. “Qualquer medida que não leve a uma desmilitarização completa deixaria o Hamas em condições de voltar a ameaçar Israel.”
O Hamas defende há muito tempo um desarmamento progressivo, com a entrega de suas armas a um organismo independente após os acordos de paz, em vez de uma rendição imediata e unilateral de seu arsenal.
X.AbuJaber--SF-PST