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Exército dos EUA lança represália 'potente' contra o Irã
Os Estados Unidos lançaram nesta quinta-feira (30) uma série de bombardeios contra o Irã, em retaliação a ataques contra suas bases na Jordânia, em meio a um conflito renovado no Oriente Médio, que voltou a envolver milicias aliadas a Teerã.
A nova troca de hostilidades após uma trégua de quase uma semana aumentou a preocupação nos mercados, onde os preços do petróleo continuavam a subir.
"Os ataques são uma resposta potente às tentativas da véspera do Irã de atacar as forças americanas posicionadas no Oriente Médio", informou no X o Comando Militar americano para o Oriente Médio (Centcom).
Citando autoridades regionais, a imprensa estatal iraniana reportou posteriormente ataques americanos nas proximidades da ilha de Qeshm e da cidade de Abadan.
Arábia Saudita e Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira bombardeios contra bases de milícias pró-Irã no Iraque, e Israel acusou o movimento islamita Hezbollah, apoiado pelo Irã, de violar a trégua no Líbano.
Durante dois dias, a Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, reportou ataques com drones contra instalações petrolíferas, que atribuiu a grupos armados iraquianos aliados a Teerã.
O Irã, por sua vez, lançou mísseis contra bases militares americanas na Jordânia. "Enquanto continuarem as ameaças contra a República Islâmica do Irã, a resistência continuará", afirmou a Guarda Revolucionária.
Em resposta, o presidente americano, Donald Trump, disse que vai atingir "com força" a república islâmica, pouco depois de a imprensa iraniana informar sobre bombardeios americanos contra uma cidade no noroeste do país. "Vamos bater neles com força. Eles vão levar uma surra", disse o presidente, segundo um correspondente da emissora Fox News.
– 'Ataque inaceitável' –
O Exército dos Estados Unidos informou que o ataque no Iraque teve como alvo instalações logísticas e depósitos de armamentos de um grupo alinhado ao Irã. Segundo Trump, a ofensiva foi coordenada com o Iraque.
No entanto, a Presidência do Iraque denunciou os bombardeios como "um ataque inaceitável e uma flagrante violação da soberania".
Segundo a aliança de milícias iraquianas Hashed al Shaabi, 20 de seus integrantes morreram na ação, e o grupo denunciou uma "escalada perigosa" contra uma "instituição oficial de segurança". Entre os mortos estão cinco conselheiros iranianos, informaram dois altos comandantes da organização.
Essa aliança, também conhecida como Frente de Mobilização Popular (FMP), foi criada em 2014 para combater os jihadistas, antes de ser integrada formalmente às Forças Armadas iraquianas. Ela reúne brigadas de grupos pró-Irã conhecidos por atuarem de forma unilateral.
– Frente no Mar Vermelho –
Antes da retomada das hostilidades, os Estados Unidos ressaltaram que a pausa nos combates com o Irã ocorreu para facilitar uma nova rodada de negociações.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira que havia detido três navios petroleiros no Estreito de Ormuz e que mantinha o "controle total" dessa rota marítima, por onde passava 20% do abastecimento mundial de petróleo antes da guerra.
A tensão nessa via aumentou a importância do Mar Vermelho como rota comercial alternativa para a Arábia Saudita. Mas os rebeldes houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla amplas áreas do Iêmen, anunciaram na semana passada um bloqueio naval aos portos sauditas.
O ministro da Informação do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, Moammar al Eryani, disse à AFP que o plano dos houthis é estabelecer um sistema de cobrança de taxas para os navios que transitam pelo Estreito de Bab al-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho. A Guarda Revolucionária está "ajudando nesse esforço", afirmou.
V.AbuAwwad--SF-PST