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Andy Burnham assume como primeiro-ministro e anuncia 'plano de dez anos' para reconstruir Reino Unido
O novo primeiro-ministro trabalhista britânico, Andy Burnham, prometeu nesta segunda-feira (20), ao assumir o cargo, um "plano de dez anos" para recolocar o Reino Unido no rumo certo, acrescentando que o país precisa "recuperar sua estabilidade".
Ao chegar à residência oficial do primeiro-ministro britânico, no número 10 de Downing Street, em Londres, Burnham afirmou que seu "plano de dez anos" incluirá, entre outras medidas, uma reforma do sistema educacional, a reindustrialização, a construção de moradias populares e o compromisso de "erradicar o fenômeno das pessoas em situação de rua" no país.
O novo líder trabalhista, de 56 anos, que assume o cargo após a renúncia, há quase um mês, de seu correligionário e antecessor no governo, Keir Starmer, também prometeu agir "agora para oferecer algum alívio às pessoas e ajudá-las a enfrentar o custo de vida".
Burnham anunciou ainda apoio "de 100%" ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em seu conflito com a Rússia, assim como Starmer.
Burnham fez essas promessas diante da entrada de Downing Street, dirigindo-se a numerosos apoiadores e colaboradores, sem anotações e sem o tradicional púlpito utilizado por seus antecessores.
Pouco antes, o novo primeiro-ministro havia se reunido com o rei Charles III, que o encarregou de formar o novo governo.
Starmer anunciou sua renúncia em 22 de junho, menos de dois anos após sua vitória eleitoral, depois dos péssimos resultados nas pesquisas e da derrota sofrida pelo Partido Trabalhista nas eleições regionais e municipais de maio.
O número de deputados trabalhistas que pediam sua saída crescia, e sua popularidade nas pesquisas havia despencado devido a vários escândalos e à estagnação da economia.
Os trabalhistas encerraram 14 anos de governos conservadores em 4 de julho de 2024, mas Starmer não conseguiu permanecer no cargo até o fim da legislatura, em 2029.
- Starmer "orgulhoso" de sua gestão -
Ao deixar Downing Street, Starmer afirmou estar "orgulhoso" de seu trabalho à frente do governo e acrescentou que o país está "mais forte e mais justo" desde que chegou ao poder, em 2024.
Burnham, prefeito da Grande Manchester entre 2017 e 2026, alcançou grande popularidade com suas políticas, e os trabalhistas o consideravam sua melhor aposta para conter as críticas.
Nenhum outro candidato trabalhista se atreveu a enfrentá-lo, e Burnham chegou às eleições internas da semana passada com o apoio de 379 dos 403 parlamentares do partido na Câmara dos Comuns.
Starmer não conseguiu conquistar as bases trabalhistas e, durante seus dois anos no cargo, o partido perdeu apoio nas pesquisas, enquanto crescia a popularidade da legenda anti-imigração Reform UK.
No novo governo trabalhista, que poderá ser anunciado nesta segunda-feira, a principal dúvida entre os analistas políticos é quem ocupará o cargo de ministro das Finanças, em substituição a Rachel Reeves.
Um dos nomes mais mencionados é o de Shabana Mahmood, até agora ministra do Interior, cargo no qual chamou atenção por adotar uma política rígida de imigração.
- Medidas "ousadas" -
A vice-líder do Partido Trabalhista, Lucy Powell, afirmou no domingo que a experiência de Burnham como prefeito, distante do centro do poder em Londres, significa que ele compreende as "medidas mais amplas e ousadas" necessárias para cumprir as promessas do programa eleitoral do partido.
Entre os desafios mais urgentes estão uma economia fraca, os elevados custos do endividamento do governo, o aumento dos gastos com benefícios sociais e a chegada de migrantes em situação irregular em pequenas embarcações, fenômeno que impulsionou o apoio ao Reform UK.
Sétimo primeiro-ministro britânico em uma década, Andy Burnham se comprometeu na sexta-feira a "devolver a esperança" aos cidadãos.
O primeiro anúncio do novo governo ocorreu na noite de sábado, quando um porta-voz informou a retirada do projeto de documento nacional de identidade digital, medida promovida por Starmer para combater o emprego de imigrantes em situação irregular.
Segundo a imprensa britânica, Andy Burnham poderá autorizar o desenvolvimento de novos campos de petróleo e gás no mar do Norte.
N.AbuHussein--SF-PST