Sawt Falasteen - Imprensa iraniana anuncia projeto de acordo sem concessões sobre Ormuz ou programa nuclear

Imprensa iraniana anuncia projeto de acordo sem concessões sobre Ormuz ou programa nuclear

Imprensa iraniana anuncia projeto de acordo sem concessões sobre Ormuz ou programa nuclear

A imprensa estatal do Irã apresentou, nesta sexta-feira (12), um projeto de acordo com os Estados Unidos que pretende estabelecer um marco para o fim da guerra, que não inclui concessões sobre o Estreito de Ormuz e adia as discussões sobre seu programa nuclear.

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Embora nenhum dirigente iraniano tenha confirmado o conteúdo de um projeto de acordo, o presidente americano, Donald Trump, mencionou uma possível assinatura "neste fim de semana".

"Acabamos de chegar a um acordo muito bom para acabar com a guerra com o Irã e, uma vez finalizados os documentos, o que deve acontecer nos próximos dias... provavelmente teremos uma assinatura, talvez na Europa", afirmou Trump no Salão Oval.

O magnata republicano chegou a declarar na quinta-feira que acredita que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o "acordo‑quadro muito sólido".

A diplomacia iraniana, no entanto, esfriou as expectativas.

"Até o momento, o Irã não chegou a uma conclusão definitiva sobre o acordo", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

Segundo Trump, a assinatura de um acordo evitará que o Irã desenvolva armas nucleares e garantirá a reabertura do Estreito de Ormuz, uma perspectiva que motivou a queda dos preços do petróleo nesta sexta-feira.

A agência oficial de notícias iraniana Irna, no entanto, afirmou que Teerã "não assume, neste texto, nenhum compromisso de ceder a gestão do estreito, nem de restaurar as condições que existiam antes da agressão militar americana e israelense".

A Irna também apontou que o programa nuclear iraniano seria abordado em negociações de 60 dias com Washington, segundo os termos do projeto de acordo.

"Questões como o direito do Irã de enriquecer urânio e a conservação do material enriquecido (...) serão enfatizadas para visar sua inclusão no acordo final", indicou.

O programa nuclear do Irã e a perspectiva de que o país desenvolva uma arma atômica foram apresentados como os principais motivos alegados pelos Estados Unidos e Israel para lançar os ataques de 28 de fevereiro que desencadearam a guerra.

"Enquanto eu for primeiro‑ministro de Israel, o Irã não terá uma arma nuclear. O presidente Trump e eu estamos completamente de acordo nessa questão", insistiu nesta sexta-feira o chefe de Governo israelense, Benjamin Netanyahu.

- "Em todas as frentes" -

A agência de notícias iraniana Mehr publicou o que apresentou como o rascunho de um acordo de 14 pontos com os Estados Unidos.

O projeto prevê o "cessar-fogo permanente e imediato das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano", a liberação, após 60 dias de negociações, de 24 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior e a "suspensão completa das sanções" americanas que asfixiam a economia iraniana.

Na quinta-feira, Trump prometeu atacar o Irã "com muita força" durante a noite, ao ameaçar em particular "tomar a ilha de Khark", o principal terminal de petróleo do país.

Mas, depois de considerar que "as conversas com a República Islâmica do Irã foram examinadas e aprovadas pelas mais altas autoridades iranianas", ele anunciou o "cancelamento dos ataques aéreos e os bombardeios que estavam previstos contra o Irã esta noite".

O cessar-fogo no Oriente Médio, que entrou em vigor em 8 de abril, foi respeitado de maneira geral até o fim de semana passado, mas os últimos dias foram marcados pela retomada das hostilidades, mais de três meses após o início do conflito, em 28 de fevereiro.

- Ormuz bloqueado -

O Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra passavam 20% dos combustíveis consumidos no mundo, é o epicentro das tensões.

Após os novos ataques americanos, a autoridade marítima iraniana anunciou o bloqueio total de Ormuz "até novo aviso". Até então, Teerã permitia a passagem de quase 20 navios por dia.

O conflito foi retomado no domingo, quando o Irã lançou mísseis contra Israel, pela primeira vez desde o início da frágil trégua, em represália aos ataques israelenses contra Beirute.

Teerã, patrocinador do movimento libanês Hezbollah, insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir o Líbano, cujo destino Washington pretende discutir separadamente.

Israel respondeu aos mísseis iranianos, mas os dois países inimigos anunciaram uma suspensão das hostilidades na segunda-feira, como Trump havia solicitado.

O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou o território israelense em apoio ao Irã. Desde então, Israel bombardeia o país vizinho com a intenção de "eliminar" o movimento xiita.

As operações israelenses mataram mais de 3.700 pessoas, principalmente no sul do país, onde seu Exército ocupa parte do território.

E.AbuRizq--SF-PST