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Irã e Israel anunciam cessar das hostilidades, mas ameaças persistem
Israel e Irã anunciaram nesta segunda-feira (8) que haviam posto fim às hostilidades entre os dois países, depois de terem se atacado diretamente pela primeira vez desde o início de um frágil cessar-fogo na guerra no Oriente Médio.
Após semanas de negociações para tentar encerrar o conflito, a região voltou a se incendiar em consequência de um bombardeio israelense contra os subúrbios de Beirute no domingo, ao qual o Irã respondeu com uma salva de mísseis.
O Exército israelense lançou ataques contra várias cidades iranianas, entre elas Teerã, e teve como alvo sistemas de defesa e um complexo petroquímico.
Nesta segunda-feira, o comando das Forças Armadas iranianas afirmou ter "infligido uma resposta contundente" a Israel e anunciou "o encerramento da operação".
No entanto, advertiu que, "se continuarem os atos de agressão e hostilidade, inclusive no sul do Líbano, serão adotadas medidas muito mais severas e contundentes do que as anteriores".
Mais tarde, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "as hostilidades nesta frente cessaram".
"Após os golpes que desferimos contra o regime terrorista de Teerã, ele deixou de nos atacar", afirmou o mandatário, acrescentando que, se o Irã "cometer o erro de retomar seus ataques", Israel responderá "com toda a força".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem se mostrado cada vez mais impaciente com Netanyahu, havia exigido anteriormente do Irã, mas também de seu aliado Israel, que interrompessem "imediatamente" os ataques, os primeiros desde 8 de abril, quando entrou em vigor a trégua.
Em uma mensagem pouco depois, ele afirmou que ambas as partes buscam "alcançar um CESSAR-FOGO imediato" e que as negociações avançam "a menos que a ignorância ou a estupidez se coloquem no caminho".
- "Direito de se defender" -
Netanyahu declarou em uma mensagem televisionada que "Israel tem todo o direito de se defender" e afirmou que transmitiu essa mesma posição a Trump.
Apesar das advertências iranianas contra os ataques israelenses, inclusive no Líbano, Israel afirmou que "continuará atuando" contra o movimento islamista Hezbollah nesse país.
"Rejeitamos categoricamente as ameaças do Irã. Qualquer tentativa iraniana de estabelecer um vínculo entre o Líbano e o Irã com o objetivo de atacar Israel receberá uma resposta de grande força", declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, em um comunicado divulgado por seu gabinete.
Um novo bombardeio israelense atingiu nesta segunda-feira um veículo na cidade de Tiro, no sul do Líbano, segundo a agência estatal de notícias libanesa NNA.
A Cruz Vermelha indicou que o bombardeio atingiu uma área próxima ao seu centro na cidade, ferindo quatro socorristas.
O Ministério da Saúde libanês anunciou que um bombardeio israelense na região de Nabatiyeh, também no sul do país, matou sete pessoas, entre elas "uma criança síria e uma mulher".
Por sua vez, o Exército israelense informou ter interceptado três projéteis lançados a partir do Líbano, e um jornalista da AFP que estava próximo à fronteira viu três explosões no ar.
A frente libanesa é um dos pontos mais delicados nas negociações para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, já que o Irã insiste que qualquer acordo deve incluir o fim desse conflito paralelo entre Israel e o Hezbollah.
Dois acordos de trégua sob os auspícios dos Estados Unidos não conseguiram interromper os combates, especialmente intensos no sul do Líbano, onde Israel conduz uma incursão militar.
- Golpe no processo diplomático -
As hostilidades entre Israel e Irã ocorreram em um momento delicado para os esforços diplomáticos voltados a encerrar o conflito.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou após o anúncio do fim dos ataques contra Israel que seu país não havia "abandonado nem o campo de batalha nem a mesa de negociações".
Anteriormente, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, havia afirmado que as consultas diplomáticas continuavam em andamento, mas que o processo poderia ser "afetado" pela escalada.
Enquanto falava na sede do Ministério das Relações Exteriores, no centro de Teerã, uma forte explosão fez o edifício tremer, segundo um jornalista da AFP que assistia à coletiva de imprensa.
Na capital iraniana, a incerteza sobre uma possível retomada da guerra pesava sobre os moradores.
"A economia está paralisada, a sociedade sofre de estresse pós-traumático, o moral está no chão", disse Farhad, um chef de 35 anos.
"Ninguém sabe o que o amanhã nos reserva."
Jerusalém também amanheceu na segunda-feira em meio ao som de explosões e alertas antiaéreos.
As autoridades determinaram o fechamento das escolas em todo Israel, embora o Ministério da Educação tenha anunciado que elas voltarão a abrir na terça-feira, um sinal de que ambas as partes esperam que o cessar-fogo seja mantido.
burs/smw/mas/dbh/pc/fp/aa/am
D.AbuRida--SF-PST