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Israel e Irã anunciam retomada dos ataques após dois meses de trégua
Israel e Irã retomaram os ataques nesta segunda-feira (8) após dois meses de cessar-fogo na guerra no Oriente Médio, apesar dos apelos por moderação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Após semanas de negociações para tentar acabar com o conflito, a tensão aumentou na região depois de um bombardeio israelense contra os subúrbios de Beirute no domingo, ao qual o Irã respondeu com uma salva de mísseis.
Ignorando o pedido de Trump para conter a escalada do conflito, o Exército israelense reivindicou bombardeios contra os sistemas de defesa iranianos e contra um complexo petroquímico.
"Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente", escreveu o presidente dos Estados Unidos em sua rede Truth Social.
No centro de Teerã, uma forte explosão fez tremer a sede do Ministério das Relações Exteriores, onde um jornalista da AFP acompanhava uma entrevista coletiva na manhã de segunda-feira.
Jerusalém também acordou nesta segunda-feira com o barulho de explosões e o alerta de ataques aéreos. As autoridades decretaram o fechamento das escolas em todo o território israelense e o Exército afirmou que seguia "em estado de alerta elevado" diante das ameaças.
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou que suas forças atacaram duas importantes bases aéreas de Israel e um complexo petroquímico em Haifa, no norte do país.
Desde domingo, a República Islâmica lançou quase 30 mísseis, afirmou um militar israelense à imprensa, que também mencionou dois disparos procedentes do Iêmen.
O agravamento da crise rapidamente foi refletido nos mercados, muito afetados pela guerra e por suas consequências no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio de hidrocarbonetos e bloqueado pelo Irã.
O preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, disparou quase 5% e se aproximava da cotação de 100 dólares, enquanto as Bolsas operavam no vermelho.
Em um novo motivo de preocupação para os mercados, os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, decretaram a proibição da navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, outra rota estratégica para o comércio mundial.
- Golpe ao processo diplomático -
Interessado em acabar o mais rápido possível com uma guerra impopular entre seu eleitorado, Trump disse no domingo que ligaria para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para pedir que não respondesse ao lançamento de mísseis iranianos.
"Israel lançou seu ataque e o Irã lançou seu ataque. Não precisamos de outro", afirmou Trump ao jornalista Barak Ravid, do portal Axios.
Mas seus apelos por moderação, repetidos também por outras potências como China, União Europeia e Reino Unido, surtiram pouco efeito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que as ações israelenses não poderiam ser dissociadas dos Estados Unidos e advertiu que os ataques afetarão "o processo diplomático iniciado para acabar com esta guerra".
Ele acrescentou, no entanto, que as consultas diplomáticas efetuadas com a mediação do Paquistão "continuam naturalmente em todas as circunstâncias".
Ao longo das negociações indiretas, Teerã insistiu que qualquer acordo deve incluir o fim do conflito paralelo no Líbano entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Dois acordos de trégua sob mediação dos Estados Unidos não conseguiram acabar com os combates, especialmente intensos no sul do Líbano, onde Israel prossegue com uma incursão militar.
O Irã havia estabelecido um bombardeio contra Beirute, a capital libanesa, como uma linha vermelha do conflito.
Mas no domingo, o gabinete de Netanyahu anunciou um ataque contra "um centro de comando de combatentes no distrito de Dahiyeh, em Beirute" que, segundo as autoridades libanesas, deixou dois mortos e 20 feridos.
A Guarda Revolucionária respondeu com uma salva de mísseis de "advertência" contra Israel, que não deixou vítimas.
Se as agressões contra o Líbano prosseguirem, "as respostas serão mais amplas e incluirão todos os alvos americanos e sionistas na região", afirmou o exército ideológico iraniano.
Além da frente libanesa, as negociações entre Estados Unidos e Irã esbarram em outras divergências sobre o controle do Estreito de Ormuz, o alívio das sanções contra Teerã e seu polêmico programa nuclear.
A incerteza, somada à estagnação econômica, pesa sobre os iranianos. "Renunciamos a tudo: primeiro ao lazer, depois às compras, em seguida as refeições foram reduzidas por causa da inflação", disse à AFP Elaheh, uma preparadora física de 32 anos na cidade de Ahvaz.
"Vida cotidiana? É uma piada. Tudo é horrível, nós só tentamos sobreviver", completou.
burs/smw/mas/dbh/pc/fp
F.Qawasmeh--SF-PST