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Irã e EUA sugerem que estão perto de acordo para pôr fim à guerra
Altos funcionários dos Estados Unidos e do Irã disseram, neste sábado (23), que podem estar perto de um acordo preliminar para pôr fim à guerra no Oriente Médio, com divergências que ainda persistem na questão nuclear.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, manifestou seu otimismo justamente quando o chefe do exército do Paquistão, um negociador-chave entre os Estados Unidos e o Irã, deixou Teerã após quase dois dias de conversas com altas lideranças iranianas.
"Existe a possibilidade de que, ainda hoje, amanhã ou dentro de alguns dias, tenhamos algo a anunciar", disse Rubio aos jornalistas em Nova Délhi, acrescentando que esperava "boas notícias".
O chefe da diplomacia americana disse que houve avanços nas negociações, mas não descartou que o presidente Donald Trump retome os ataques contra o Irã.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã também afirmou que um rascunho de acordo poderia, finalmente, estar próximo.
"Nossa intenção era, em primeiro lugar, redigir um memorando de entendimento, uma espécie de acordo-quadro composto por 14 cláusulas", declarou o porta-voz das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, na televisão estatal.
Ele se referiu a este avanço pela paz como uma "tendência rumo a uma aproximação", mas disse que "isso não significa necessariamente que nós e os Estados Unidos vamos chegar a um acordo sobre as questões importantes".
No início deste sábado, o negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, havia advertido sobre uma resposta "esmagadora" caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomasse a guerra ao acusá-lo de sabotagem com "exigências excessivas".
"Nossas forças armadas foram reconstruídas durante a trégua de tal maneira que, se Trump cometer outro ato de loucura e reiniciar a guerra, [o resultado] será certamente mais esmagador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra", publicou Ghalibaf, que também o é presidente do Parlamento iraniano, nas redes sociais.
Ghalibaf fez essas declarações após se reunir com o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Asim Munir, figura-chave nos esforços internacionais para alcançar uma solução negociada para o conflito, que começou após os Estados Unidos e Israel terem atacado a República Islâmica em 28 de fevereiro.
Várias semanas de negociações - incluindo as históricas conversas presenciais organizadas em Islamabad - não conseguiram aprovar uma resolução permanente nem restabelecer o acesso total ao Estreito de Ormuz, o que perturbou o fornecimento mundial de enormes quantidades de petróleo.
Esta situação de estagnação deixou os cidadãos iranianos em um limbo.
"O estado de 'nem guerra nem paz' é muito mais repugnante do que a própria guerra", disse Shahrzad, uma residente de Teerã de 39 anos, à AFP.
"Você nem consegue planejar algo tão simples como se matricular em uma academia, e muito menos coisas importantes. Estou prestes a começar um novo trabalho e tenho medo de que a guerra possa voltar, que eu acabe largando o emprego como antes e acabe fugindo para outra outra cidade por medo", afirmou.
Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reclamou das "posições contraditórias e repetidas exigências excessivas" de Washington.
Araghchi manteve uma série de conversas diplomáticas e falou com seus homólogos de Turquia, Iraque, Catar e Omã, informou a Irna.
O presidente Trump também falou, neste sábado, com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, cujo escritório informou que ele tinha expressado ao mandatário dos Estados Unidos seu apoio a "todas as iniciativas encaminhadas para conter a crise por meio do diálogo e da diplomacia".
- Divergências "profundas" -
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã já havia alertado que as divergências com Washington permanecem "profundas".
Questões relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a situação no Estreito de Ormuz e o bloqueio americano aos portos iranianos permanecem, segundo ele, "sem solução", assim como a questão nuclear.
No Líbano, continuam os ataques israelenses, apesar de um cessar-fogo em vigor entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah desde meados de abril.
O grupo armado libanês pró-iraniano Hezbollah afirmou neste sábado que "na última proposta do Irã, transmitida por meio de mediadores paquistaneses e destinada a alcançar um fim permanente e estável da guerra, foi enfatizada a exigência de incluir o Líbano no cessar-fogo", assegurou em comunicado.
Israel advertiu, neste sábado, os moradores de 15 vilarejos no sul do Líbano para que evacuassem imediatamente suas casas a fim de evitar os ataques aéreos planejados contra supostos alvos do Hezbollah, já que os combates não cessaram na frente libanesa da guerra regional.
burx-roc/ega/dbh/pb/ahg/rm/aa
E.Aziz--SF-PST