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Irã acusa EUA de sabotar negociações de paz
O Irã acusou, neste sábado (23), os Estados Unidos de sabotarem as negociações para o fim da guerra com "exigências excessivas", em meio a especulações sobre uma retomada das hostilidades.
Uma mudança na agenda do presidente americano, Donald Trump, que anunciou que não compareceria ao casamento do filho devido a "assuntos de Estado", alimentou ainda mais esses temores.
Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reclamou das "posições contraditórias e repetidas exigências excessivas" de Washington, segundo as agências de notícias Tasnim e Fars.
Esses fatores "perturbam o processo de negociação conduzido sob mediação do Paquistão", afirmou o ministro iraniano.
"Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã tem participado do processo diplomático com uma abordagem responsável e a máxima seriedade, buscando alcançar um resultado razoável e equitativo", acrescentou.
O chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, chegou a Teerã na sexta-feira como parte dos esforços de mediação de seu país entre as partes.
Segundo a agência de notícias iraniana Irna, o oficial militar, que tem desempenhado um papel proeminente nos esforços de reaproximação, conversou com Araghchi até altas horas da madrugada de sexta para sábado sobre os "mais recentes esforços e iniciativas diplomáticas destinadas a evitar uma escalada ainda maior".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, já havia alertado que as divergências com Washington permanecem "profundas".
Questões relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a situação no Estreito de Ormuz e o bloqueio americano aos portos iranianos permanecem, segundo ele, "sem solução", assim como a questão nuclear.
O Catar, que foi severamente afetado pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, e outros países da região intensificam simultaneamente os esforços de mediação alternativa. Teerã confirmou a visita de uma delegação da monarquia na sexta-feira.
Em contrapartida, veículos de imprensa americanos noticiaram que Washington está considerando novos ataques contra Teerã.
Segundo a CBS News, militares dos EUA estão se preparando para possíveis bombardeios durante o fim de semana ou na segunda-feira, que é feriado nos Estados Unidos.
Na sexta-feira, Trump reuniu seus assessores para discutir a guerra, acrescentou o site Axios.
O magnata republicano chegou a anunciar que não poderia comparecer ao casamento de seu filho Don Jr. e que teria que permanecer em Washington em vez de ir a um de seus campos de golfe, por "razões relacionadas a assuntos de Estado".
No entanto, ele declarou em um discurso perto de Nova York que os líderes iranianos "estão desesperados para chegar a um acordo".
Desde o cessar-fogo de 8 de abril, após mais de um mês de conflito, apenas uma rodada de negociações ocorreu em Islamabad, em 11 de abril, entre representantes dos EUA e do Irã, sem sucesso.
burx-roc/ega/dbh/aa
S.AbuJamous--SF-PST