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Chefe do exército paquistanês chega a Teerã para novas negociações entre Irã e EUA
O chefe do exército do Paquistão, Asim Munir, chegou nesta sexta-feira (22) a Teerã, no momento em que a diplomacia em torno da guerra no Oriente Médio ganha impulso e o Irã avalia uma nova proposta de paz dos Estados Unidos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, advertiu que a visita de Munir, cujo país tem atuado como mediador, não significa que se tenha "chegado a um ponto de inflexão ou a uma situação decisiva".
As divergências entre Irã e Estados Unidos eram "profundas e extensas", acrescentou Baqaei em declarações reproduzidas pela agência iraniana Isna.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia manifestado esperança de avanços rumo ao fim da guerra, que começou em 28 de fevereiro com os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Um cessar-fogo em 8 de abril interrompeu as hostilidades, mas as negociações não conseguiram até agora produzir um acordo duradouro.
O presidente Donald Trump afirmou que os diálogos estão "no limite" entre um acordo e novos ataques.
O exército paquistanês disse que o marechal Asim Munir havia "chegado a Teerã como parte dos esforços de mediação".
Ele foi recebido pelo ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, e pelo ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi.
Naqvi visitou o Irã pela segunda vez em uma semana na quarta-feira e se reuniu com o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Baqaei afirmou que uma delegação do Catar também manteve conversas com Araghchi nesta sexta-feira.
"Nos últimos dias, muitos países — tanto regionais quanto extrarregionais — tentaram ajudar a pôr fim à guerra. No entanto, o Paquistão continua sendo o mediador oficial", declarou.
O Paquistão sediou em abril as únicas negociações diretas entre autoridades americanas e iranianas realizadas desde o início da guerra. Munir desempenhou um papel-chave nessas aproximações.
No entanto, elas não prosperaram e, desde então, as duas partes têm trocado propostas sob constantes ameaças de retomar a guerra.
- Forçar a abertura de Ormuz -
Rubio, à margem de uma reunião ministerial da Otan na Suécia, disse que houve "algum progresso" nas negociações.
Mas advertiu que os Estados Unidos lidam "com um grupo de pessoas muito difícil. E se isso não mudar, então o presidente foi claro ao dizer que tem outras opções".
Também afirmou que a "decepção" de Trump com seus aliados da Otan pela falta de apoio na guerra teria que "ser tratada".
Os países europeus poderiam precisar de um "plano B", disse Rubio, para ajudar a forçar a abertura do Estreito de Ormuz se a guerra continuar.
Teerã fechou, na prática, a passagem estratégica, pela qual, antes da guerra, passava um quinto da produção global de petróleo e gás.
O futuro de Ormuz continua sendo um ponto de discórdia, em meio a temores de que a economia global sofra à medida que as reservas de petróleo disponíveis antes da guerra se esgotam.
Porém, os mercados encontraram algum alívio na diplomacia. Nesta sexta-feira, Wall Street fechou em alta e o Dow Jones registrou sua segunda máxima consecutiva, com investidores apostando que as conversas poderão eventualmente oferecer uma saída para o conflito.
Ainda assim, os preços do petróleo também subiram, ressaltando o temor de que o impacto em Ormuz continue impulsionando a inflação.
De acordo com Baqaei, o Estreito de Ormuz e o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos estão em discussão.
"O tema de pôr fim à guerra em todos os fronts, incluindo o Líbano, é muito importante", declarou.
- O front libanês -
O movimento pró-Irã Hezbollah levou o Líbano à guerra ao disparar foguetes contra Israel após a morte do líder supremo iraniano durante os primeiros momentos do conflito.
Apesar de uma trégua em 17 de abril, Israel tem continuado com ataques, demolições e ordens de evacuação no sul do país.
Em dois ataques israelenses nesta sexta-feira, dez pessoas morreram, anunciou o Ministério da Saúde libanês.
"Um ataque contra o povoado de Deir Qanoune al Nahr, na região de Tiro", causou a morte de seis pessoas, entre elas dois socorristas ligados ao movimento xiita Amal, aliado do Hezbollah, assim como uma menina síria, segundo as autoridades.
Mais tarde, dois edifícios na cidade de Tiro, no sul do Líbano, foram atingidos depois de o exército israelense ter emitido mais cedo um alerta de evacuação na área.
Além disso, segundo a imprensa estatal, aviões de combate israelenses atacaram pouco antes da meia-noite de sexta-feira. Eles miraram a área de Nabi Sreij, nos arredores de Brital, no leste do país, que vinha sendo poupada de ataques desde o cessar-fogo de 17 de abril.
O Ministério da Saúde informou que os ataques israelenses mataram pelo menos 3.111 pessoas no Líbano desde 2 de março.
Y.Zaher--SF-PST